Esportes

Para curar a maior das feridas

Nesta Copa do Mundo, a seleção brasileira terá um desafio maior que o título: cicatrizar a ferida de 2014

Em toda a sua história, a seleção brasileira de futebol passou por grandes momentos. De glória e também de fracasso. Em todos os seus cinco títulos mundiais, recordes foram quebrados, gênios da bola foram revelados e partidas memoráveis foram realizadas. Mesmo quando perdeu em 1950 e 1982, o time brasileiro entrou para a história com times que eram tecnicamente brilhantes e não venceram por capricho do destino.

Já outras, como 1990, por exemplo, foram vistas como uma consequência normal diante da desorganização do futebol nacional. No fim, ficava a sensação de que os talentos revelados no Brasil seriam suficientes para fazer o país sempre forte na modalidade. Bastaria mínima organização somada a esse talento e pronto: os títulos voltariam.

Por tudo isso, um fato é inegável: nenhuma derrota foi tão marcante, vergonhosa e dolorosa quanto o 7×1 de 8 de julho de 2014, no estádio Mineirão, em Belo Horizonte. Pela primeira vez na história, a seleção brasileira foi mais do que vencida. Ela foi humilhada, massacrada sem esforço. O pior de tudo: nossa história fez o adversário ter pena e tirar o pé no segundo tempo. Foram sete mas poderiam ter sido muito mais. Isso é o pior dos insultos para um atleta: despertar a piedade do oponente.

O maior responsável pelo 7×1 foi a própria desorganização e a politicagem do futebol brasileiro. Essa parceria tornou a formação de nossos jogadores e técnicos obsoleta em relação aos grandes centros esportivos do planeta e colocou um treinador ultrapassado no comando do time, quando Tite já era a escolha mais correta após sua brilhante passagem no Corinthians.

Após o desastre, as mudanças ainda são tímidas na estrutura do nosso futebol, mas ao menos estão acontecendo. Gestões mais profissionais das contas dos clubes, aposta em treinadores jovens e com conceitos mais modernos de trabalho. O maior progresso, sem dúvida, aconteceu na seleção. Agora vem a prova de fogo.

Ao entrar em campo em Rostov, na Rússia, neste domingo (17), a seleção brasileira começará um torneio onde haverá uma pressão maior que o título: cicatrizar a ferida de 2014. E para isso terá de mostrar que aprendeu a lição. Mais importante do que a taça, a seleção precisa reconquistar o que perdeu em solo brasileiro: o orgulho, despertar medo e não a piedade nos adversários. E isso só virá com uma campanha marcante, com grande futebol. De nada vai adiantar um título pragmático como em 1994, por exemplo. Será mais honroso para o time uma derrota como a de 1982, mas com bom futebol.

O torcedor pode até aceitar uma nova derrota.

Mas que ela seja de pé.

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