Eleições 2022 Opinião

Um dos debates mais deprimentes da história política do Amazonas

Estive presente aos estúdios da TV Amazonas nesta terça-feira (28/09/2022) para acompanhar o debate entre candidatos ao governo do estado nas eleições deste ano com a participação dos candidatos Carol Braz (PDT), Eduardo Braga (MDB), Henrique Oliveira (Podemos), Israel Tuyuka (PSOL), Ricardo Nicolau (Solidariedade) e Wilson Lima (União Brasil). Amazonino Mendes (Cidadania) alegou questões de foro íntimo e não compareceu.

Infelizmente, a população do Amazonas teve de conferir na transmissão alguns dos momentos mais constrangedores da história eleitoral do nosso Estado. O saldo final do deprimente encontro de ontem foi um alerta: a justiça eleitoral precisa urgentemente encontrar uma formas mais eficientes de fiscalizar possíveis candidaturas laranjas.

Análise geral

Em termos de propostas, foi um retumbante fiasco. Absolutamente nada se aproveita do encontro de ontem. Nenhum candidato conseguiu concatenar uma única proposta construtiva para o futuro. Os que já ocuparam (ou ocupam) o cargo se limitaram a relembrar seus feitos e prometerem “fazer mais”. Os outros reclamavam da situação do Amazonas sem apontar uma direção para onde querem ir. No mais, ataques, gafes e desinformação. Quem venceu? Quem foi para a cama mais cedo.

STJ e Operação Sangria

Outro ponto que mostra o nível de mediocridade do debate de ontem foi o fato dos candidatos adversários do governador Wilson Lima (União Brasil) não conseguirem sequer se informar corretamente sobre os detalhes do processo ao qual ele responde no Superior Tribunal de Justiça (STJ). E, é claro, o governador não poderia deixar de mentir a respeito.

Mas, como você pode conferir no texto do Vocativo, a importadora de vinhos não foi onde o governador comprou os respiradores, mas foi usada – segundo o inquérito da Polícia Federal – para superfaturar os equipamentos. E ao contrário do que disse o governador, pelo que foi lido no inquérito que serviu de base para o relator, há fortes evidências de todas as acusações.

Temas ausentes

De tantos temas urgentes que o nosso estado possui, dois passaram praticamente incólumes ao longo de todo debate de ontem: responsabilidade fiscal e meio ambiente. Como já foi noticiado aqui, a atual gestão do Estado abriu os cofres na tentativa de reeleger o governador Wilson Lima, a ponto do próprio Tribunal de Contas do Estado (TCE-AM) afirmar categoricamente que a Lei de Responsabilidade Fiscal já foi violada.

Por esse motivo, além da grande quantidade de isenções fiscais feitas pela administração estadual, seria importante saber o quanto das contas públicas do Amazonas está comprometido para os próximos anos. Infelizmente, ficaremos na vontade, porque o assunto não foi mencionado.

Da mesma forma, os números recordes de desmatamento, queimadas, violência contra povos indígenas e o caso envolvendo Bruno Pereira e Dom Phillips foram completamente esquecidos pelos adversários do governador. É inacreditável que os assessores dos candidatos – os formais e os informais – não se dêem conta disso.

Henrique Oliveira

Por último e mais importante, precisamos discutir o ponto mais baixo e deprimente do debate de ontem. O “candidato” Henrique Oliveira nunca foi exatamente um dos políticos mais brilhantes da história do Amazonas, mas o papel a que vem se prestando nestas eleições é caso de polícia.

Ao longo dessa campanha, Olivera não apresenta qualquer linha propositiva, não argumenta objetivamente sobre nenhum tema, passa a maior parte das respostas fazendo galhofa com os adversários e em momento algum dos debates anteriores, questionou a atual gestão. Ao se encontrar pela primeira vez com o governador, a estratégia ficou clara.

Ficou nítido para todos os que acompanharam o debate que não apenas Henrique Oliveira não dirigia questionamentos negativos contra Wilson Lima como atuava praticamente como linha auxiliar, atacando apenas adversários do atual governador e chegando a elogiar em diversos momentos ações da sua gestão. Foi impossível não pensar em uma hipotética “candidatura laranja”.

O termo “laranja” é frequentemente utilizado para designar práticas ilícitas, se referindo a pessoas que cedem o seu nome, sua imagem ou suas práticas para outras, assumindo funções e responsabilidades que não serão exercidas de fato. Se é muito difícil estabelecer essa conexão de forma concreta, a impressão de todos os repórteres nos bastidores foi justamente essa.

Aqui não se trata de exigir um comportamento padrão dos candidatos, mas de honestidade e lisura de todos. Até porque sabemos que os arranjos políticos dos partidos envolvem também fundos eleitorais bilionários. É o nosso dinheiro. A cumplicidade de discurso entre Henrique Oliveira e Wilson Lima foi flagrante. Será ela proposital?

O eleitor e os jornalistas e demais profissionais que trabalham na cobertura e nas eleições não podem ser feitos de idiotas. E no decorrer do debate de ontem, foi exatamente essa impressão que todos tiveram. A Justiça Eleitoral precisa encontrar um meio de fiscalizar e, em caso de conduta , punir os responsáveis.

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: