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Segundo fala de Bolsonaro, sexo com menores não é problema

“Eu estava em Brasília, na comunidade de São Sebastião, se eu não me engano, em um sábado de moto […] parei a moto em uma esquina, tirei o capacete, e olhei umas menininhas… Três, quatro, bonitas, de 14, 15 anos, arrumadinhas, num sábado, em uma comunidade, e vi que eram meio parecidas. Pintou um clima, voltei. ‘Posso entrar na sua casa?’ Entrei”.

Qualquer cidadão que ouça um homem de 64 anos dizer essa frase tem como primeiro impulso chamar a polícia e denunciar um potencial crime de exploração sexual de menores. Exceto, é claro, se você se chamar Jair Messias Bolsonaro e morar no Brasil. Essa frase aterradora e repulsiva foi dita pelo presidente da República em um podcast na última sexta-feira (15/10/2022) em um podcast de influenciadores de futebol torcedores do Flamengo.

O recorte do vídeo repercutiu de tal maneira no dia seguinte que levu o próprio candidato a gravar uma live na madrugada de domingo (16/10/2022) para tentar desfazer o estrago eleitoral causado pela declaração. Ele disse que as declarações sobre o encontro com as meninas foram deturpadas. O fato é que ele está feito e pode transcender o mandato do atual presidente.

Há situações distintas aqui: a moral e as criminais. Primeiro: moralmente falando, a fala de Bolsonaro é mais do que abjeta. Ora, o presidente considera totalmente possível “ter clima”, ou, em bom português, existir consenso para relação sexual entre um homem de 64 anos e uma menina de 14. O caso que escandaliza Bolsonaro aqui não é elas fazerem sexo, mas fazerem isso “pra ganhar a vida”, tanto que associa isso ao fato de serem venezuelanas, país que sempre simboliza miséria e mazelas sociais para a extrema direita brasileira. Fica a pergunta: de acordo com essa fala, fosse em um condomínio de luxo, com outras meninas que não estivessem se prostituindo, como em uma festa da sua filha Laura, por exemplo, se “pintasse um clima” entre ele e amigas dela, aconteceria sexo?

Segundo: criminalmente falando, Bolsonaro prevaricou. Se havia suspeita de que elas estavam sendo abusadas sexualmente ou que havia mais meninas nessa situação, ele tinha obrigação de reportar às autoridades o que testemunhou. Não fazê-lo mostra que Bolsonaro não se comporta nem como cidadão, que dirá presidente. E há mais uma questão a ser levantada sobre sua vida pessoal: se ele considera aceitável fazer sexo com meninas menores de idade, seu passado e seus equipamentos pessoais precisam ser vistoriados. Até que ponto isso ficou apenas no discurso?

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