Opinião

Opinião: entidades médicas brasileiras precisam de uma CPI só para elas

Em nome do alinhamento ideológico com o bolsonarismo, médicos e entidades de classe da medicina brasileira estão abrindo mão da ética e colocando nossas vidas em risco. Casos como da Prevent Senior mostram que é preciso uma CPI para investigar essa situação

Casos da Prevent Senior e da Samel, centenas de médicos usando redes sociais e veículos de comunicação para disseminar tratamentos ineficazes contra uma doença mortal, perseguição corporativa e assédio moral contra colegas, tudo isso com a omissão e conivência do Conselho Federal de Medicina (CFM). A pandemia da Covid-19 ilustrou a necessidade de investigar a fundo as entidades médicas brasileiras, incluindo as de classe. O depoimento estarrecedor da advogada Bruna Morato desta terça-feira (28/09/21) na CPI da Pandemia só reforçou essa necessidade.

O presidente Jair Bolsonaro e seus aliados desde o início da pandemia cometem crime contra saúde pública quando agem incentivando a automedicação com medicamentos potencialmente perigosos e boicotando medidas de saúde pública. Fosse outro presidente, a ação do CFM seria a mesma?

Quando a ex-presidente Dilma Rousseff aprovou o uso da fosfoetanolamina, medicamento igualmente ineficaz, só que contra o câncer, a reação do Conselho foi feroz. O argumento: a necessidade de comprovação científica. Com relação ao chamado “tratamento precoce”, igualmente inútil, aí vale a “autonomia do médico”. A diferença? Há um presidente com quem possuem afinidade.

O grande X da questão é a palavra credibilidade. Não há dúvidas de que existe um fortíssimo alinhamento ideológico de boa parte da classe médica brasileira com o bolsonarismo. Afinidade ideológica não seria necessariamente um problema, exceto por duas coisas: 1) O bolsonarismo é uma ideologia incompatível com qualquer modelo de civilização; 2) Em nome dessa afinidade, muitos médicos brasileiros abrem mão de qualquer consciência, ética e cuidado com as nossas vidas.

É preciso deixar bastante claro: não estamos seguros com essas pessoas andando impunemente por aí. Você se sente seguro em se consultar ou levar algum parente para ser atendido com um médico sem saber se a intenção dele é salvar a sua vida ou fortalecer o discurso do presidente que ele apoia? Eu também não. Fossem casos isolados, isso poderia ser resolvido, olha só, pelo Conselho Federal de Medicina. Se não é possível confiar neste, é hora do parlamento brasileiro entrar em ação.

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