Opinião

O que fazer para evitar uma tentativa de golpe militar

Diante de constantes ameaças de golpe de Estado, é preciso esticar a corda e obrigar os militares a escolher: dar a cara diante do mundo e tentar o golpe ou enfiar o rabo entre as pernas e voltar pra caserna

Não é nenhum segredo que o ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, virou o principal ator do bolsonarismo na tentativa de tumultuar o processo eleitoral brasileiro. O objetivo é claro: desacreditar o TSE e as urnas eletrônicas para tentar melar a votação em caso de uma cada vez mais provável vitória do ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT). Diante disso, a sociedade civil precisa encontrar uma forma de enfrentar essa escalada golpista. Mas o que fazer então?

Que 90% das forças de segurança do Brasil é ideologicamente alinhada ao presidente e adoraria que um golpe de estado acontecesse, isso não resta dúvidas. Mas por uma série de razões já listadas nesse texto, a tão sonhada ruptura institucional é extremamente complexa e improvável. Ainda assim, ao criar uma narrativa de possível fraude, cria-se um clima de tensão que pode motivar apoiadores do presidente a praticar atos de terrorismo, como o ocorrido em Foz do Iguaçu, no Paraná.

De qualquer modo, a melhor tática para enfrentar essa tática é ignorar ao máximo qualquer reivindicação de membros das forças armadas da ativa (ou em cargos do governo) em relação às eleições. A frase MILICO NÃO DÁ PALPITE é mais do que adequada. Eleições existem para preencher cargos civis, então cabe aos civis – que comandam a sociedade – organizá-las. As forças armadas são apenas empregadas do cidadão e devem se manter no seu papel institucional.

Há duas armas disponíveis para evitar um golpe de estado: a primeira delas é a mobilização popular. E ela precisa ter como alvo a classe dos militares. São eles, enquanto coletivo, quem estão abertamente ameaçando a democracia brasileira e são eles quem precisam ser impedidos. A outra maneira é não se intimidar mesmo com o terrorismo que possam vir a praticar com auxílio da grande imprensa.

É muito comum “fontes anônimas” serem usadas por colunistas famosos para plantar notícias de que “alguns generais podem topar uma aventura golpista” para dias mais tarde dizerem justamente o contrário. Aconteça o que acontecer, sejam quais forem as ameaças, precisamos exigir que as eleições aconteçam como determina o Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

O que não pode acontecer de maneira alguma é tutelarem a democracia no grito. Nos fazer ter medo apenas por ameaças veladas e discursos ambíguos. Se os militares querem um golpe de estado, que sejam homens o bastante mostrar a cara em plena luz do dia e invadir o Congresso e o Supremo Tribunal Federal (STF) na frente das câmeras do mundo inteiro.

É preciso esticar a corda ao máximo. Das duas uma: ou terão coragem e enfrentam as consequências da quartelada ou enfiam o rabo entre as pernas e desaparecem de uma vez. E conhecendo a natureza covarde do bolsonarismo ao longo dos anos, eu apostaria na segunda. Sem medo.

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