Opinião

O bolsonarismo tentará algo sujo, resta saber o quê e quando

A revelação do jornalista Matheus Leitão, da Veja, de que oficias de órgãos de inteligência do governo alertaram para o risco de atos criminosos no dia 7 de setembro praticados por bolsonaristas não surpreende. Diante de um cenário desfavorável, fortemente armados, totalmente fanatizados e com a proteção de órgãos de segurança do país, o cenário é perfeito para uma tragédia fabricada.

O intuito seria ferir os próprios militantes e tentar atribuir o crime a membros de partidos de esquerda, em especial o Partido dos Trabalhadores (PT) para jogar a opinião pública contra ele. A ideia é fazer um efeito semelhante à facada de 2018, recebida pelo presidente Jair Bolsonaro (PL), então candidato e atualmente em desvantagem nas pesquisas. Na época, o atentado ajudou positivamente na sua eleição.

E aqui é importante entender que não se deve esperar uma ação desse tipo coordenada pelo governo. Até porque não é preciso. O simples fato de existirem tantas armas em circulação, em especial nos chamados Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC’s) pelo país, onde a preferência política pelo bolsonarismo é quase uma unanimidade, basta um indivíduo ou pequeno grupo em uma multidão para uma tragédia acontecer. E quando você tem a mesma predominância de preferência entre policiais civis e militares, não se deve esperar uma abordagem ou ação preventiva muito interessada.

É urgente que a opinão pública, imprensa e órgãos institucionais sérios se mobilizem imediatamente para preparar estratégias de monitoramento contínuo e contingência para quando acontecer, para esclarecer os fatos com máxima velocidade. E o mais importante: não permitir que nenhum movimento golpista organize narrativas a partir de um atentado. A essa altura, não é o caso de se pensar se o bolsonarismo fará algo, mas sim o que e quando fará.

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