Opinião

Nem recuo, nem tática. Com Bolsonaro, há apenas o caos

Pressionado e isolado, o presidente Jair Bolsonaro emitiu nota oficial nesta quinta-feira (09/09/21) frustrando seus apoiadores. Nela, ele afirma não ter tido a intenção de agredir outros Poderes da República e destacou que respeita a harmonia entre as instituições.

Esse gesto não deve ser interpretado nem como recuo, nem como tática, mas sim como o ato de alguém que simplesmente age por instinto, por impulso, sem qualquer planejamento ou perspectiva. E exatamente por isso não ele mudará e não tem condições de permanecer no cargo.

Após as manifestações golpistas de 07 de setembro com público abaixo do esperado, da crise econômica, da frustrada tática de locaute por parte de caminhoneiros bolsonaristas e da reação de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), Bolsonaro percebeu o óbvio: que tentar intimidar os opositores e os outros poderes da República não daria certo.

Com isso, chamou o ex-presidente Michel Temer, uma raposa política da velha guarda para formular uma nota acovardada e patética. E não há como negar: é uma clara e nítida demonstração de fraqueza, a tal ponto de desagradar praticamente toda sua base. Não duvidem: Bolsonaro terminou a semana com menos apoiadores do que como começou.

E não, não é tática como muitos analistas estão teorizando. Bolsonaro não organizou os eventos dessa semana pensando em terminá-la se acovardando. Na sua imaginação, ela terminaria com uma ruptura institucional ou, no mínimo, com os opositores intimidados. Só faltou concatenar as coisas pra fazer isso acontecer. Para a sorte da democracia, ele, seus ministros e seus apoiadores agem por impulso, de maneira irracional. E por isso sempre quebram a cara. É só observar a condução do seu governo.

No começo da pandemia, Bolsonaro atacou e atrapalhou o quanto pode o pagamento do Auxílio Emergencial. Hoje, após ver como esse tipo de ação fez com sua popularidade, quebra a cabeça para implementar um novo programa de distribuição de renda. Antes, atacava todas as vacinas. Quando percebe que ela traria dividendos políticos, a defendeu junto com seus filhos. Foi contra o Centrão no começo, mas depois abraçou o Centrão quando necessário. E por aí vai.

Aceitem um fato: Bolsonaro não é um grande ditador estrategista, com um grande plano maléfico para dominar o Brasil. Ele é um homem perverso, que desconhece limites e não faz a menor ideia de onde está e o que fazer. Não há tática com Bolsonaro e seus aliados. Há apenas o caos.

O problema é que esse caos já matou mais de 580 mil brasileiros pela Covid-19, levou o desemprego para outros 14 milhões e está destruindo a economia e o meio ambiente do país. Bolsonaro só é mantido no poder porque faz gente inescrupulosa ganhar muito dinheiro.

Agora, não é preciso ser muito inteligente pra saber que o conteúdo dessa nota não é verdadeiro. Bolsonaro definitvamente não sente o que está escrito nela. E com certeza não mudará sua atitude. No máximo, vai esperar a poeira baixar e voltará a atacar. É da sua natureza. É como a parábola do sapo e do escorpião. Bolsonaro não deixará de tentar picar a República, ainda que afunde com isso. E exatamente por isso precisa ser impedido.

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