Opinião

Mais fraco do que nunca

Se antes se discutia a possibilidade do presidente Jair Bolsonaro (PL) ganhar força com a aprovação de uma série de benefícios aos eleitores e escalar em seu discurso golpista, essa possibilidade fica cada vez mais distante com os acontecimentos desta terça e quarta-feira (17/08/2022). Em um único dia, o presidente precisou engolir as palavras de Alexandre de Moraes, o fracasso dos auxílios na disputa com Lula, o cancelamento do ato golpista no Rio e mais uma acusação da Polícia Federal.

Na noite de terça, as redes sociais viram uma chuva de imagens e memes da posse do ministro Alexandre de Moraes como novo presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O grande tema foi o indisfarçável desconforto de Bolsonaro ao assistir o inflamado – e aplaudido de pé – discurso do seu grande desafeto na corte sobre a eficiência do sistema eleitoral brasileiro, tão atacado pelo chefe da República. De quebra, ainda viu o assédio de autoridades ao seu maior concorrente, o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva (PT).

Nesta quarta, por sua vez, o primeiro banho de água fria veio logo no início da manhã, com a divulgação da 15ª pesquisa da Genial/Quest, mostrando que todo o trabalho para furar o teto de gastos e tentar comprar votos foi em vão. Lula não apenass segue na frente, com a possibilidade da disputa se encerrar no primeiro turno, como ampliou vantagem entre os eleitores que recebem o Auxílio Brasil.

Mas não parou por aí. O prefeito do Rio de Janeiro Eduardo Paes informou em seu perfil no Twitter, que a parada militar do dia 7 de Setembro não será realizada na Avenida Presidente Vargas, nem na Praia de Copacabana. “Essa é a solicitação que recebi do Exército Brasileiro”, disse Paes. Bolsonaro esperava usar o evento para reforçar o discurso golpista. Mas, ao que tudo indica, ficará nas redes sociais mesmo. E só.

Pra finalizar o dia, a Polícia Federal afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o presidente Bolsonaro cometeu incitação ao crime ao associar a vacina contra a Covid-19 ao risco de desenvolver Aids. O incidente aconteceu em uma live transmitida pelas redes sociais em outubro do ano passado.

Com tudo isso, fica cada vez mais claro que a situação de Bolsonaro – pelo menos neste momento – é delicada. As próprias instituições que muitos julgavam estar aparelhadas por ele – a Polícia Federal e as Forças Armadas – mandaram recados contundentes ao mesmo tempo de que não estão interessadas em nenhum tipo de aventura. Não que não estejam tomadas de bolsonaristas, mas sim porque o presidente demonstra total fraqueza e incapacidade de liderar os próprios seguidores.

Ao que tudo indica no dia de hoje, o destino do presidente parece ser enfrentar o processo eleitoral com, no máximo, algumas arruaças de apoiadores mais ensandecidos, que nada poderão fazer além disso. Hoje Bolsonaro se mostrou mais fraco do que nunca. Seu semblante fechado e preocupado parece ser apenas um prelúdio do que o espera no futuro.

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