Opinião

Bolsonaro joga para sua base no caso do passaporte de vacinação. Você que se dane

O governo Bolsonaro anunciou nesta terça-feira (07/12/21) que não vai exigir certificado de vacinação para viajantes que queiram entrar no país, ação recomendada pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Ao invés disso, será exigida quarentena de cinco dias para viajantes não vacinados contra a Covid-19 que desembarcarem no Brasil.

Em cerimônia no Palácio do Planalto, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou que “é necessário defender as liberdades individuais” e que “é melhor perder a vida do que a liberdade”. Queiroga detalhou que, após o período de quarentena definido, os viajantes deverão realizar um teste do tipo RT-PCR com resultado negativo.

O que pode estar por trás disso?

Embora a atitude tenha revoltado a opinião pública, principalmente a comunidade científica brasileira, essa decisão não chega a surpreender e é compatível com o comportamento negacionista do governo. É preciso entender que Bolsonaro nunca governou de fato e já há alguns anos apenas trabalha para tentar se manter no poder, seja por um golpe de estado, seja pela reeleição de fato.

Como um golpe de estado parece distante, resta a eleição. Essa atitude parece ter dois objetivos claros com relação a isso: o primeiro é manter sua base mobilizada e coesa, algo que é necessário para o presidente que vê sua popularidade derreter sem perspectiva de melhora. Nas condições atuais, a estratégia deve ser apostar nela e em uma faixa do eleitorado desesperada com a crise financeira e que se agarre na promessa da prorrogação do chamado Auxílio Brasil para tentar se manter na presidência.

A outra é manter a narrativa de embate tendo o STF e a oposição como grandes antagonistas. Esse tipo de situação tem um roteiro bem definido: Bolsonaro faz algo absurso, a oposição critica e leva até o Supremo, que geralmente decide contra ele. Com isso, ele reforça o argumento falso de que ninguém o deixa fazer nada. E vida que segue. Provavelmente acontecerá o mesmo agora.

E o mais importante: Bolsonaro faz tudo isso porque sabe que nada o tirará do cargo até o final de 2022, aconteça o que acontecer. Com a conivência do Congresso Nacional e da Procuradoria da República, ele tem total liberdade para fazer o que bem entende, mesmo que isso signifique expor a população brasileira a mais ondas da Covid-19 mesmo com a vacinação avançando. A revolta contra Bolsonaro é justa, mas ele só faz o que faz porque tem cúmplices.

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