Amazônia

O que é o carbono negro, o pior vilão climático da Amazônia

A fumaça cinza proveniente das queimadas na Amazônia ocorridas nos primeiros sete dias de setembro encobriu o céu de cidades da região Norte, Centro-Oeste e até Sudeste. No último dia 09 de outubro, cidades como São Paulo e Cuiabá amanheceram com um forte nevoeiro escuro. Além de nociva à saúde da população, essa fumaça libera na atmosfera o perigoso carbono negro, material particulado cujo impacto nas mudanças climáticas é de 460 a 1.500 vezes superior ao dióxido de carbono, o famoso CO2.

“O carbono negro é um material particulado extremamente poluente, que tem como principal fonte global os incêndios florestais. Ele pode causar graves danos à saúde, como doenças respiratórias, cardíacas e até psicológicas, além de consequências ao meio ambiente, como acelerar o derretimento de geleiras (e, consequentemente, o aumento do nível do mar) e alterar significativamente os padrões de chuva”, explica Marcelo Laterman, porta-voz de Clima e Justiça do Greenpeace Brasil.

Apesar dessa fumaça ter curta duração na atmosfera por ser constituída de micropartículas, o carbono negro presente nela tem efeitos climáticos a médio prazo. “A liberação do carbono negro aumenta os riscos de eventos climáticos extremos como chuvas torrenciais e longos períodos de seca que, como temos testemunhado, estão cada vez mais frequentes no país. E, infelizmente, enquanto as queimadas servem aos interesses de uma minoria poderosa, quem mais sente as consequências são as populações em vulnerabilidade, expostas a deslizamentos, inundações, torneiras secas e contas caras”, diz.

Além disso, ao alterar o regime de chuvas e aumentar a seca, as queimadas na floresta também têm consequências para o bolso do brasileiro. “O fogo na Amazônia tem impactos na inflação do Brasil, na conta de luz (em um país que ainda depende de hidrelétricas) e preço de alimentos”, afirma o porta-voz do Greenpeace .

Desmatamento, fogo e aquecimento global

Uma vez que fogo e desmatamento caminham lado a lado, a enorme quantidade de queimadas que consome a floresta neste momento é fruto do desmatamento recorde ocorrido no primeiro semestre: dados do Programa DETER-B do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o acumulado de janeiro a agosto de 2022 foi o maior da série histórica, com 7.135 km² desmatados.

De acordo com o Sistema de Estimativa de Emissões de Gases de Efeito Estufa (SEEE), 46% dos gases do efeito estufa no Brasil são causados por desmatamento e queimada.“Um grande vilão climático, o carbono negro é mais uma manifestação perversa do desmatamento da Amazônia, que é, de longe, a principal contribuição do Brasil para o aquecimento da temperatura média global”, afirma Laterman.

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