Amazônia

Funcionários da saúde do Amazonas sofrem com atraso de salário

Funcionários da área da saúde de hospitais e centros de atendimento em Manaus procuraram o Vocativo nas últimas semanas para relatar atraso de salários e demissões injustificáveis por parte da empresa Discol Comércio de Produtos e Serviços de Limpeza, que atua em parceria com o poder público. Alguns estão sem receber desde novembro de 2022.

Uma das funcionárias que procuraram o site (e inclusive foi demitida após reclamar dos atrasos) afirmou que a situação começou logo após a eleição, em outubro de 2022. “São atrasos de mais de 2 meses. Os colegas que não estão com a carteira assinada não recebem desde novembro. Eles estão pagando um mês e deixando o outro em aberto. O salário de novembro recebemos no dia 02 de janeiro”, afirma a profissional, que pediu para não ser identificada.

A empresa – que atua no centro de reabilitação em dependência química Ismael Abdel Aziz – argumenta que os atrasos acontecem porque estariam aguardando o repasse da Secretaria do Estado de Saúde do Amazonas (SES-AM), com quem possuem contrato de várias unidades de saúde. A empresa estaria ameaçando funcionários de demissão caso acionem o sindicato ou Ministério Público.

Os problemas da Discol não são novidade. Em fevereiro de 2020, o Tribunal de Contas do do Amazonas (TCE-AM) admitiu representação contra a Discol porque ela não poderia atuar no seguimento da saúde pois pois não possui registro de empresa no Coren/AM (Conselho Regional de Enfermagem). Mesmo assim, a empresa foi beneficiada no processo de dispensa de licitação Nº 085/2019- CGL, para contratação de profissionais de enfermagem, fisioterapia, fonoaudiologia e maqueiros para a Fundação Hospital Adriano Jorge (Fhaj), unidade do governo.

Mas não é apenas a Discol quem está deixando funcionários sem receber. A assessoria do Sindicato que Representa os Trabalhadores da Area de Saúde no Amazonas (SINDPRIV-AM) afirmou que a situação também se aplica a outras empresas: Segeam (3 meses de salários atrasados), Manaós (6 meses de salários atrasados), Iete (4 meses de salários atrasados), Mandir (5 meses de salários atrasados) e Proservise (4 meses de salários atrasados) de pagamento de maqueiros.

Procuradas pelo Vocativo, nenhuma das empresas retornou as mensagens, enviadas todas antes do feriado de carnaval. A Secretaria de Estado da Saúde do Amazonas (SES-AM) também não se pronunciou apesar de diversas mensagens enviadas.

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