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Em semana tensa, bolsonaristas atacam a democracia

Do presidente ao seu advogado, passando pelos comandantes das Forças Armadas, foram vários ataques a opositores e instituições, que reagiram de maneira tímida

Em um dos dias mais tensos desde a redemocratização, o presidente Bolsonaro, as forças armadas e outras figuras ligadas ao bolsonarismo passaram a sexta-feira (09/07/21) atacando instituições e fazendo ameaças de golpe de estado.

Na quinta-feira (08/07/21), Bolsonaro voltou a exigir a implantação do voto impresso nas eleições de 2022, além de fazer acusações falsas sobre supostos episódios de fraude eleitoral. “Eleições no ano que vem serão limpas. Ou fazemos eleições limpas no Brasil ou não temos eleições”. Na sexta (09/07/21), o presidente atacou diretamente o presidente do TSE. “Só um idiota para fazer isso aí. É um imbecil. Não pode um homem querer decidir o futuro do Brasil na fraude”, disse.

Mas as ameaças não se restringiram ao presidente. Após nota em conjunto do Ministério da Defesa e comandantes das Forças Armadas criticando o senador Omar Aziz (PSD-AM), foi a vez do comandante da Aeronáutica, brigadeiro Carlos Almeida Baptista Junior, fazer novas insinuações sobre um possível golpe militar. Em entrevista para a repórter Tânia Monteiro, do jornal O Globo, Baptista afirmou que a nota foi um “alerta às instituições” e frisou que “homem armado não ameaça” ao ser indagado sobre a possibilidade de um novo golpe no país.

E pra fechar, o advogado Frederick Wasseff, representante legal do presidente, enviou mensagens ameaçadoras à jornalista Juliana Dal Piva, do portal Uol, após a profissional de imprensa publicar uma série de reportagens com áudios que apontam envolvimento direto do presidente em esquemas de corrupção de rachadinhas. “Por que não se muda para a grande China comunista e vai tentar exercer sua profissão por lá ???? Faca lá o que você faz aqui no seu trabalho, para ver o que o maravilhoso sistema politico que você tanto ama faria com você. Lá na China você desapareceria e não iriam nem encontrar o seu corpo”, disse.

Respostas tímidas

As respostas a todos esses ataques vieram de forma tímida. Sobre as eleições, o Tribunal Superior Eleitoral afirmou em nota que desde a implantação das urnas eletrônicas em 1996, jamais se documentou qualquer episódio de fraude. Além disso, o órgão lembrou que a realização de eleições, na data prevista na Constituição, é pressuposto do regime democrático. Qualquer atuação no sentido de impedir a sua ocorrência viola princípios constitucionais e configura crime de responsabilidade.

O presidente do Senado e do Congresso Nacional, Rodrigo Pacheco, afirmou nesta sexta-feira (9) que a realização das eleições em 2022 é “inegociável”, e que o pleito “não decorre da vontade” das autoridades políticas, mas da Constituição federal. Pacheco também disse que a decisão do Congresso Nacional a respeito da adoção do voto impresso terá que ser respeitada por todos os Poderes.

Sobre as ameaças feitas contra a jornalista Juliana Dal Piva, o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Felipe Santa Cruz, se manifestou no final da noite via Twitter, mas também de maneira protocolar. “Minha solidariedade à jornalista. Vou determinar que a corregedoria da OAB apure o fato ocorrido e tome as medidas necessárias”.

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