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Membros da CPI da Pandemia se dizem convencidos da existência de “Gabinete Paralelo”

Décima primeira pessoa a ser ouvida pela CPI da Pandemia, a oncologista e imunologista Nise Yamaguchi prestou depoimento por pouco mais de sete horas, nesta terça-feira (1), e negou várias vezes a existência de um gabinete paralelo junto ao Palácio do Planalto para formular políticas relacionadas ao combate à pandemia de covid-19. Mas os senadores de oposição estão convencidos de que havia um grupo de aconselhamento do presidente da República, Jair Bolsonaro, ditando diretrizes de atuação do governo à margem das decisões do Ministério da Saúde. 

“Nós já temos provas e fortes evidências da participação de algumas pessoas no gabinete paralelo em circunstâncias variadas, como o vereador Carlos Bolsonaro, o deputado Osmar Terra, o ex-ministro da Educação Abraham Weintraub, o médico Luciano Azevedo, o empresário Carlos Wizard e a senhora também” afirmou o relator, senador Renan Calheiros (MDB-AL), depois de buscar de uma confissão da médica. 

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) chegou a apresentar um organograma do gabinete paralelo, composto, segundo ele, por núcleos teórico, operacional e de comunicação do chamado “gabinete de ódio”. “É uma pena um país com a academia que nós temos, com as universidades e a potência em saúde pública que nós representamos para o mundo estar passando por um vexame deste. O Brasil já foi uma potência em saúde pública” afirmou. 

Imunidade de Rebanho

Nise Yamaguchi também foi muito questionada sobre a chamada imunidade de rebanho por meio da própria disseminação do vírus. O relator Renan Calheiros exibiu um vídeo do ano passado em que a médica falava do tema e quis saber se ela mantinha a defesa da tese. A imunologista disse que a imunidade é um fato, mas pode ocorrer de várias formas e não significa mandar as pessoas indiscriminadamente para as ruas a fim de se contaminarem. 

Nise Yamaguchi declarou ainda que nunca discutiu o tema com Jair Bolsonaro. Com o presidente, ela disse ter estado “umas quatro ou cinco vezes”, sempre na presença de mais pessoas. Imediatamente o relator rebateu dizendo que um grupo de checagem que auxilia a CPI levantou que ela esteve ao menos uma vez com o presidente a sós, em 15 de maio do ano passado. A oncologista disse, então, não se lembrar dos episódios.  

Ao ser perguntada pelo senador Alessandro Vieira (Cidanania-SE) por estudos científicos qualificados, que tenham sido publicados a respeito da eficiência da hidroxicloroquina, ela mencionou pesquisa da Fundação Henry Ford, nos Estados Unidos, e foi novamente contestada. Segundo ele, o trabalho foi descontinuado pelo própria entidade, por não ter apresentado resultado que indicasse proveito no uso do medicamento.

“Ainda tenho a expectativa de que a senhora, em algum momento, consiga fazer a volta e recuperar a credibilidade que merece pelo seu histórico, mas continuo dizendo: é inaceitável um profissional de alta qualidade rejeitar estudos técnicos de entidades qualificadas e tentar valorizar ou divulgar estudos que foram encerrados, como é o caso deste da Henry Ford. A senhora sabe que esse estudo foi descontinuado porque ele não gerou os resultados que a está dizendo?” indagou. A médica admitiu que não tinha tal informação. 

Próximos passos

Com o início da sessão do Congresso Nacional, o presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), encerrou a reunião. A CPI da Pandemia volta a se encontrar às 9h30 desta quarta-feira (2) para ouvir a médica infectologista Luana Araújo. No início de maio, o nome dela chegou a ser anunciado pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, para o cargo de secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, mas a nomeação foi cancelada  dias depois.

Com informações da Agência Senado. Foto: Leopoldo Silva/Agência Senado

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