Na última segunda-feira (12), o governo federal decidiu excluir o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) da atribuição de divulgar alertas sobre incêndio e queimadas em todo o País. O órgão federal, ligado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, fazia esse trabalho há décadas, com divulgação diária de dados técnicos sobre o avanço do fogo e estimativas do volume queimado em cada região. Agora, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), ligado ao Ministério da Agricultura, será o responsável por divulgar essas informações.
A mudança é vista com preocupação pelo pesquisador Bráulio Dias, membro da Rede de Especialistas em Conservação da Natureza (RECN). “Não vejo motivo para essa substituição, pois não há queixa em relação ao trabalho do Inpe. Como o ex-presidente do órgão, Ricardo Galvão, foi demitido no ano passado após divulgação de dados sobre o desmatamento na Amazônia, fica a dúvida sobre as razões por trás desta medida do Governo Federal”, frisa Dias.
O pesquisador teme que o Governo decida, em breve, retirar também do Inpe a atribuição de monitorar e divulgar dados sobre o desmatamento no País. “O governo vem criticando muito o Inpe pelo monitoramento do desmatamento há algum tempo. Vale lembrar também que, recentemente, o Exército recebeu aval do Governo para contratar um serviço de monitoramento dos ecossistemas, em um movimento claro para substituir um serviço que já está funcionando muito bem, gerando inclusive gasto público desnecessário”, argumenta Dias, lembrando que, há poucos dias, foi divulgado o aumento do desmatamento da Amazônia pelo quarto mês consecutivo.
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