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O mistério do desaparecimento de 24 ianomâmis em Roraima

Após a denúncia de que uma menina ianomâmi de 12 anos morreu após ser estuprada por garimpeiros em Aracaçá, na Terra Indígena Yanomami, na região de Waikás, em Roraima cerca de 25 pessoas simplesmente desapareceram sem deixar vestígios. O caso vem chamando atenção de parte da opinião pública brasileira nesta terça-feira (03/05/2022).

O caso veio à tona no último dia 26, quando o líder indígena Júnior Hekurari Yanomami divulgou um vídeo nas redes sociais denunciando que uma adolescente yanomami da Terra Indígena da comunidade de Aracaçá, região de Waikás, em Roraima, faleceu após ser violentada sexualmente por garimpeiros. Ele também havia denunciado o sequestro, também por parte de garimpeiros, de uma mulher indígena e seu filho de três anos, que foi atirado em um rio e segue desaparecido.

Três dias depois, a Polícia Federal, o Ministério Público Federal (MPF), a Fundação Nacional do Índio (Funai) e a Secretaria Especial de Saúde Indígena (Sesai), com o apoio do Exército e da Força Aérea brasileira, alegaram não ter encontraram indícios da prática dos crimes de homicídio e estupro ou de óbito por afogamento, conforme denúncia do Conselho Distrital de Saúde Indígena.

Segundo os órgãos, as equipes se deslocaram para a Região do Waikás na quarta-feira (27/04/2022) para averiguar relatos de eventuais crimes dos quais teriam sido vítimas mulheres e crianças indígenas da localidade, conforme narrado em ofício encaminhado pelo Conselho Distrital de Saúde Indígena. Os órgãos ainda estão em diligência em busca de maiores esclarecimentos, mas até agora não há novidades.

Desde o dia 29 de abril não há sinais dos moradores dessa comunidade. Há um vídeo circulando que mostra a aldeia totalmente queimada. O Ministério Público Federal (MPF) afirmou que foram colhidos relatos de indígenas da comunidade, mas ninguém sabia de nada. Segundo a procuradoria, as diligências demonstraram a necessidade de aprofundamento da investigação, para melhor esclarecimento dos fatos.

A principal suspeita é de que os moradores ou estejam escondidos à força pelos garimpeiros para que não possam falar ou por vontade de própria, por medo de represálias. Em entrevista ao site Mídia Ninja, Júnior Hekurari afirmou que alguns yanomamis que ainda permanecem na região teriam sido cooptados por garimpeiros e, por isso, estariam divulgando informações falsas para atrapalhar as investigações. Ele informa, ainda, que alguns dos indígenas receberam ouro dos garimpeiros para manter o silêncio.

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