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Com vacinação fraca, associação alerta para o risco de um novo surto de gripe

Somente 5,5% das clínicas de vacinas atingiram mais de 70% de sua expectativa vacinal contra a gripe para 2022. Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas alerta que essa é a pior campanha dos últimos 20 anos

Uma sondagem da Associação Brasileira de Clínicas de Vacinas (ABCVAC), feita com suas associadas, mostra que na rede privada a campanha de vacinação contra a gripe está abaixo do esperado e os números são alarmantes. Mais de 76% das clínicas disseram que a campanha está fraca e 22% consideram regular. Somente 5,5% das associadas atingiram mais de 70% de sua expectativa vacinal para 2022 e mais de 41% atingiram apenas entre 10% e 30%.

“Essa é a pior campanha de vacinação contra a gripe nos últimos 20 anos em termos de cobertura vacinal”, chama a atenção o presidente da ABCVAC, Geraldo Barbosa. “O mercado privado é um reflexo do serviço público e os números são realmente preocupantes. A baixa cobertura pode ocasionar outro surto de gripe, assim como vivenciamos no final do ano passado. Além disso, estamos há um mês do inverno, quando o vírus influenza se espalha mais”, reforça.

De 1º de janeiro até 17 de maio, segundo o portal de Transparência do Registro Civil da Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais (Arpen-Brasil), quase 4 mil pessoas vieram a óbito por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG) – que é uma complicação da síndrome gripal, porém, Barbosa considera esse número subnotificado.

Para a ABCVAC, a falta de reforço nas campanhas publicitárias públicas – que devem ser anuais e contínuas – para fortalecer o processo de imunização da população no momento de maior circulação viral, e servem para esclarecer o público sobre a prevenção e reforçar a importância, segurança e eficácia das vacinas, é um fator que colabora para a queda no número de pessoas que buscam os serviços de imunização.

Segundo dados obtidos pelo site Repórter Brasil via Lei de Acesso à Informação, em 2021 o Brasil reduziu os gastos com campanhas incentivando a imunização em 52%, em comparação com 2020, quando foram gastos R$ 69 milhões nas campanhas de gripe, sarampo, poliomielite, vacinação geral e febre-amarela. O corte é ainda maior se comparado a 2017, quando o Programa Nacional de Imunizações (PNI) aplicou R$ 97 milhões em cinco campanhas: hepatites, febre-amarela, multivacinação, gripe e HPV (valores corrigidos pela inflação).

“Sem campanha, a falta de percepção de risco pela população passa a ser um dos maiores problemas para o controle da gripe”, reforça Barbosa. As sociedades brasileiras de Imunizações (SBIm), Infectologia (SBI), Pediatria (SBP), a Associação Brasileira de Saúde Coletiva (Abrasco) e o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) já publicaram, inclusive, um manifesto no qual solicitam ao Programa Nacional de Imunizações (PNI) a execução de estratégias de comunicação adequadas.

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