Notícias

Bolsonaro concede perdão a Daniel Silveira, mas medida é considerada inconstitucional

O presidente Jair Bolsonaro publicou decreto na tarde desta quinta-feira (21/04/2022), concedendo a graça (perdão da pena) ao deputado federal Daniel Silveira, condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a oito anos e nove meses de prisão por estímulo a atos antidemocráticos e ataques a ministros da Corte. O perdão da pena segue os artigos 734 ao 742 do Código de Processo Penal e pode ser concedido pelo presidente da República por meio de decreto.

Por 10 votos a 1, os ministros condenaram Silveira a oito anos e nove meses de prisão em regime fechado, além de determinarem a perda do mandato e dos direitos políticos do deputado bolsonarista e multa de cerca de R$ 200 mil. Segundo Bolsonaro, “a graça será concedida independentemente do trânsito em julgado da sentença penal condenatória”. O “trânsito em julgado” é quando não há mais possibilidade de recurso, e a decisão judicial torna-se definitiva.

A manobra, no entanto, é inconstitucional. “Trata-se de ato nulo de pleno direito, pois a condenação sequer transitou em julgado. Por agora, há decisão do STF sem trânsito em julgado. O réu não pode sequer ser preso; muito menos, perdoado. Além disso, o ato é flagrante desvio de função. Graça e Indulto não podem ser utilizados desta forma”, explicou José Pietro Dellova, doutor em Ciências Jurídicas e Sociais pela Universidade Federal Fluminense (UFF), em sua conta no Twitter.

“A Constituição estabelece o indulto como poder do presidente, mas o STF já estabeleceu que cabe controle judicial sobre ele, inclusive sobre sua razoabilidade. O controle judicial pode anular induto quando este for inconstitucional. Meu pitaco? Esse indulto fere o princípio da impessoalidade”, explicou também via Twitter Eloísa Machado, doutora em Direitos Humanos pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo (USP).


Descubra mais sobre Vocativo

Assine para receber nossas notícias mais recentes por e-mail.

Deixe uma resposta

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.