Eleições 2022 Opinião

O palanque da vergonha

Que o Brasil teve uma das piores gestões da pandemia da Covid-19 em todo mundo, disso não há dúvidas. E de todos os estados, nenhum viveu cenas tão tristemente marcantes quanto o Amazonas. E os responsáveis por isso têm nome e dividiram palanque nesta quinta-feira (23/09/2022) em Manaus: a de candidatos Wilson Lima (governador Amazonas) e Jair Bolsonaro (presidente da República).

Não faltam textos e comentários no Vocativo e em nossas redes sociais explicando, analisando, comentando e trazendo informações exclusivas mostrando que as ações e omissões de Lima e Bolsonaro foram decisivas para a disseminação do novo coronavírus no Estado, bem como episódios dramáticos como o colapso no oxigênio ocorrido na capital em janeiro de 2021.

O mais triste e vergonhoso disso tudo é que ambos lideram as pesquisas de intenções de voto na mesma cidade que tanto prejudicaram. Triste, humilhante e vergonhoso, mas compreensível. Diante da exclusão social do nosso povo ao longo de décadas, com educação, serviços e assistência social precária, o saldo que fica é de uma população despolitizada, faminta e desesperada, nas mãos de uma elite que concentra renda e odeia os mais pobres. Terreno fértil para o bolsonarismo.

Provavelmente alguns que leiam esse texto podem acreditar que ele sirva aos interesses dos candidatos adversários de Lima e Bolsonaro. Não serve. Até porque se procurarem nas buscas, não faltam críticas e matérias que desagradam Lula, Amazonino, Ricardo Nicolau, Eduardo Braga, etc. O ponto aqui é mais delicado. Qualquer um desses nomes gera uma lista enorme de críticas e questionamentos, mas nenhum deles deixou pessoas morrerem por asfixia mecânica.

Em qualquer país normal, Jair Bolsonaro e Wilson Lima não estariam disputando essas eleições porque estariam há muito tempo presos. Em um Brasil minimamente funcional a partir de 2023, a liberdade de ambos é mera questão de tempo. Bolsonaro terá de arcar com uma enciclopédia de crimes de responsabilidade e Wilson terá pela frente um STJ que o indiciou por um placar histórico.

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