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Censura e corte de remédios podem definir derrota de Bolsonaro no 1º turno

Essa sexta-feira (23/09/2022) foi marcada por duas notícias que podem dar contornos definitos para a derrota do presidente Jair Bolsonaro (PL) no primeiro turno das eleições de 2022. A censura ao portal UOL e a informação de que até medicamentos de combate ao câncer serão cortados para o pagamento do chamado Orçamento Secreto podem ser o fiel da balança e atrair o voto de indecisos e o chamado “voto útil” para o primeiro colocado das pesquisas, Luís Inácio Lula da Silva (PT).

Censura ao UOL

No começo da manhã, surgiu a notícia de que, atendendo a pedido do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), o desembargador Demetrius Gomes Cavalcanti, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios, determinou a censura à reportagem de Juliana Dal Piva e Thiago Herdy, no portal Uol, que revelou o esquema de compra em dinheiro vivo de 51 dos 107 imóveis negociados pela família do presidente.

A liminar (decisão provisória) revogou decisão anterior de primeira instância da 4ª Vara Criminal de Brasília, da última segunda-feira (19/09/2022). Na decisão, o desembargador afirmou que as reportagens utilizaram informações sigilosas de inquérito policial que já havia sido anulado pelo Superior Tribunal de Justiça e informações “não submetidas ao crivo do Poder Judiciário”. 

Câncer

Em outra notícia do dia, veio a público que Bolsonaro cortou 45% do programa Rede de Atenção à Pessoa com Doenças Crônicas – Oncologia, considerado fundamental no combate ao câncer, para pagar R$ 19,4 Bilhões reservados ao orçamento secreto. Com isso o programa passou de R$ 175 milhões para R$ 97 milhões.

Por que isso é decisivo?

Faltando pouco mais de uma semana para o primeiro turno das eleições e com o principal adversário com larga vantagem, com chances reais de vitória já no dia 02 de outubro, Bolsonaro precisava criar fatos positivos sobre si mesmo ao mesmo tempo que teria de desgastar a imagem de Lula, o que poderia acontecer no debate do SBT onde o petista não estará.

Só que, ao promover um ato de censura a um escândalo de corrupção, Bolsonaro não só dá aos adversários mais munição para atacá-lo, como terá de perder tempo e energia criando narrativas pra justificar o ato. De quebra, atinge justamente o público de renda mais baixa que precisa desesperadamente de tratamento contra o câncer. Resta agora saber como ele reagirá.

Se, como esperado, Bolsonaro continuar focando em pautas moralistas e atacar o STF, vai desmobilizar seu próprio eleitorado com mais estagnação em pesquisas e mobilizar os indecisos e adeptos do voto útil. Se ele conta com uma convulsão social causada pelos seus apoiadores, isso ficará ainda mais difícil se eles próprios dispersarem. O público abaixo do esperado na bolsonarista Manaus já deveria servir como alerta. A essa altura, o segundo turno passa a ser uma possibilidade cada vez mais distante.

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