Contexto

Crônica do ataque terrorista mais anunciado da história

Um empresário bolsonarista foi preso na noite deste sábado (24/12/2022) com um arsenal de armas e bombas na capital federal e confessou ter colocado uma bomba em um caminhão-tanque no aeroporto de Brasília. O terrorista foi identificado como George Washington Oliveira Souza, de 54 anos. Análise ao final do texto.

Ele faz parte do grupo acampado em frente ao Quartel General do Exército e confessou que pretendia cometer um atentado na capital federal para chamar atenção do movimento de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro que quer impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) na Presidência da República.

Em coletiva à imprensa, o delegado-geral da Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF), Robson Cândido, deu detalhes ainda mais assustadores sobre as intenções do terrorista. “Ele confessou que realmente tinha a intenção de fazer um crime no aeroporto, que seria destruir um porte ou algo do tipo para causar o caos e o objetivo dele era justamente chamar atenção para o movimento que eles estão empenhados”, disse Cândido.

O homem foi preso após tentativa de explodir um caminhão-tanque, que estava próximo ao aeroporto de Brasília. A prisão ocorreu após denúncia à polícia da presença de um artefato explosivo, que logo em seguida foi detonado. O caso aconteceu da tarde de sábado.  “Se esse material adentrasse o Aeroporto de Brasília, seria uma tragédia, mas nós conseguimos interceptar e evitar”, ressaltou.

“Ele é morador do Pará e veio justamente para participar de manifestações no QG [Quartel General do Exército]. Ele faz parte desse movimento de apoio ao atual presidente [Jair Bolsonaro] e estão imbuídos nessa missão, segundo ele, ideológica, mas que saiu do controle e as autoridades policiais, principalmente aqui em Brasília, iremos tomar todas as providências”, acrescentou.

O delegado-geral afirmou ainda que atentados com bombas nunca foram registrados em Brasília. A PCDF encontrou armas, munições e outras emulsões explosivas com o homem em um apartamento no bairro do Sudoeste. Apesar de ter registro como Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC), o material encontrado estava irregular.

“Nós não iremos permitir que nenhum tipo de manifestação possa causar mal às pessoas ou ao patrimônio público”, assegurou. “Ele é CAC, porém está tudo fora das normas e será autuado por posse, porte de arma ilegal de fogo, munições e artefatos explosivos e crime contra o Estado Democrático de Direito”, completou.

Flávio Dino

Por meio do Twitter, o futuro ministro da Justiça e Segurança Pública do governo eleito, Flávio Dino, classificou de “terrorismo” a tentativa de explodir um caminhão-tanque no aeroporto de Brasília investigada pela polícia de Brasília.

“Os graves acontecimentos de ontem em Brasília comprovam que os tais acampamentos ‘patriotas’ viraram incubadoras de terroristas. Medidas estão sendo tomadas e serão ampliadas, com a velocidade possível”, afirmou Dino. “O armamentismo gera outras degenerações. Superá-lo é uma prioridade”.

Flávio Dino agradeceu a rapidez da Polícia Civil do DF. “Reitero o reconhecimento à Polícia Civil do DF, que agiu com eficiência. Mas, ao mesmo tempo, lembro que há autoridades federais constituídas que também devem agir, à vista de crimes políticos”, disse. “Não há pacto político possível e nem haverá anistia para terroristas, seus apoiadores e financiadores”.

Em uma nova postagem, o futuro ministro postou que pretende propor que o Procurador Geral da República e o Conselho Nacional do Ministério Público constituam grupos especiais para combate ao terrorismo e ao armamentismo irresponsável. “O Estado de Direito não é compatível com essas milícias políticas.”

Análise

Passou da hora de tratar esses indivíduos que ficam na porta dos quartéis pedindo golpe militar como o que eles realmente são: terroristas. Ao promover frequentes flexibilizações na posse e no porte de armas, o intuito do presidente Jair Bolsonaro (PL) sempre foi fazer com que seus apoiadores promovessem o caos seja para dar um golpe, seja para forçar uma intervenção militar por meio da decretação de estado de sítio.

Se antes as encenações, as fantasias, as cenas de canto e marchas nos acampamentos golpistas renderam memes e vídeos engraçados, o tempo que essas pessoas permanecem nesses locais deixam claro que estamos lidando com pessoas sem qualquer limite. Quem passa quase SESSENTA DIAS saindo de casa ou longe de casa em nome de teorias da conspiração pode fazer qualquer coisa. E a tese de que são pagos não se sustenta. O grosso dessas pessoas não está lá por dinheiro.

Neste momento, ainda impera entre eles a alucinação de que Bolsonaro tem um plano para se manter no poder. Quando perceberem que isso não é verdade, uma parte desistirá, mas uma outra não terá mais nada a perder e certamente tentará criar o caos. Estarão as autoridades prontas para isso?

Essa semana será decisiva. Certamente células terroristas armadas estão se mobilizando para tentar algum ato desesperado e inconsequente. O trabalho de inteligência agora, tanto para monitorar os criminosos quanto os agentes públicos conivente vai literalmente fazer a diferença entre a vida e a morte de dezenas – talvez centenas – de pessoas.

Com informações da Agência Brasil

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