Covid-19

O que é a “Deltacron” e o que ela representa para a pandemia

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga confirmou nesta terça-feira (15/03/2022) os dois primeiros casos no Brasil de uma variante do novo coronavírus, a Deltacron. Essa nova variante vem sendo monitorada desde o último dia 09 de fevereiro pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Ela combina características genéticas duas outras versões mais preocupantes do vírus: a Ômicron e a Delta, daí o nome. Apesar do nome, ela não deve alterar o cenário atual da pandemia.

Essa nova variante é fruto da chamada recombinação. O Vocativo, inclusive, já falou sobre esse fenômeno nesta matéria. A primeira evidência mais sólida de um vírus recombinante Delta e Ômicron foi compartilhada pelo Instituto Pasteur, da França, que fez o sequenciamento genético completo do vírus para o GISAID, um banco de dados internacional que centraliza as sequências genéticas de todas as variantes do coronavírus.

Segundo a diretora técnica da Organização Mundial da Saúde (OMS), Maria Van Kerkhove, até o momento, não foi identificada nenhuma severidade maior da infecção pela nova variante, mas que pesquisas e estudos ainda estão em andamento.

O secretário de Saúde do Amazonas, Anoar Samad, explicou que, apesar do nome, não há nenhum sinal de que essa nova variante seja uma ameaça diferente do que já enfrentamos. “Apesar de existir, pelo menos desde janeiro deste ano, ainda não demonstrou capacidade de crescer e de se tornar a variante dominante. O genoma deste vírus recombinante também sugere que não representaria uma nova fase da pandemia, pois o que codifica a proteína de superfície do vírus, conhecida como Spike, vem quase inteiramente da Ômicron. O resto do genoma é Delta”, afirmou.

Segundo a diretora-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Drª Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), Tatyana Amorim, independentemente de variante e mesmo com a flexibilização do uso de máscara de proteção respiratória em ambientes abertos, por exemplo, é preciso que a população faça a adesão à campanha de vacinação contra a Covid-19.

“É importante salientar que a máscara permanece obrigatória em ambientes fechados. A responsabilidade é de todos nós, então é preciso que as pessoas com mais de 70 anos e quem tem comorbidades e doenças de imunossupressão usem máscara e mantenham a higiene das mãos”, acrescentou.

“Deltacron” entra para a mesma lista onde estão ‘Delta Plus’ e ‘Flurona’: são termos não oficiais, cunhados pela necessidade de nomes simples (ou de clickbaits), porém são inadequados, pois sugerem a existência de ‘híbridos fantásticos’, ‘mais poderosos’, e este não é o caso”, explicou Anderson Brito, virologista e doutor em Biologia pelo Imperial College de Londres, em sua conta no Twitter.

“Ainda se sabe pouco sobre a letalidade da Deltacron, transmissibilidade ou até fuga às respostas geradas pelas vacinas contra a COVID-19, mas já circula há semanas em diferentes países. Portanto, estamos falando de um fato indiscutível, a grande capacidade de surpreender do novo coronavírus, especialmente quando a maioria quer acreditar que a pandemia acabou”, afirma Jesem Orellana
Epidemiologista da Fiocruz Amazônia

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