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Governo Bolsonaro não está solicitando vacinas contra a Covid-19

Os contratos vigentes para compra de vacinas contra Covid-19 seriam suficientes para garantir a cobertura vacinal da população brasileira, mas o programa de imunização contra a doença apresenta falhas porque o Ministério da Saúde não tem feito as encomendas necessárias às empresas fornecedoras.

A informação partiu do ex-ministro da Saúde Arthur Chioro, integrante do GT Saúde do Gabinete de Transição que afirmou, em entrevista à GloboNews na manhã desta terça-feira (23/11/2022), que as informações coletadas até agora apontam que as lacunas na vacinação decorrem de decisão do governo Bolsonaro.

“O que nós sabemos, não diretamente do ministério, mas através de audiências com outros setores, é de que o contrato para aquisição de vacinas estão vigindo, mas que o ministério não tem solicitado dos contratantes a quantidade de vacinas necessárias e, nesse momento, nós temos, por decisão do ministério, lacunas importantes na vacinação de covid entre várias faixas etárias”, disse Chioro.

Hoje, o Brasil enfrenta problemas para iniciar a contento a imunização de crianças de 6 meses a 3 anos de idade, falta de doses para crianças de 3 anos em diante, além de falhas na cobertura vacinal dos jovens e adultos, especialmente provocada pela política negacionista do atual governo, que desincentiva as pessoas a completarem o ciclo de imunização.

“Mesmo em relação à bivalente, a vacina aprovada ontem pela Anvisa, o próprio contrato já prevê que, sem alteração de valores, a partir do momento que o laboratório – no caso, a Pfizer – tenha uma vacina atualizada, o ministério pede, dentro da cota contratada, e pode, por aditamento, pedir mais vacinas”, informou o ex-ministro na entrevista.

Chioro chama atenção que esta não pode ser uma questão para o ano que vem, mas que precisaria ser enfrentada ainda este ano. “Segundo as informações coletadas, teríamos capacidade imediata de 76 a 78 milhões de doses, o que permitiria fazer para todos os idosos, todos os pacientes com comorbidades imediatamente a vacinação com a versão atualizada, bivalente, e continuando vacinando o restante da população.”

Chioro ressaltou que o Ministério da Saúde vem tratando dados sobre compras de vacinas e de outros produtos com sigilo, mas audiências com outros órgãos e especialistas feitas até agora pelo GT permitem este diagnóstico. “Isso é muito grave, porque impede que, com transparência, se acesse o conjunto dessas informações.”

Na manhã desta quarta-feira (23/11/2022), os coordenadores do GT de Saúde tiveram reunião com a diretoria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária. Entre os temas abordados, a ausência de vacina para Covid-19 em plena nova onda no país. Na tarde desta quarta-feira, os coordenadores do GT terão a primeira reunião na sede do Ministério da Saúde, com o ministro Marcelo Queiroga.

A expectativa é que, com canais oficiais abertos, seja possível acelerar o planejamento do novo governo neste tema da covid-19, mas também em outras questões consideradas prioritárias, como o programa nacional de vacinação geral, a saúde indígena e a gestão da rede federal de saúde no estado do Rio de Janeiro.

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