Cotidiano

Síndrome de Burnout: o que fazer para não ser parte das estatísticas

O que acontece quando um carro fica sem combustível? O mesmo que ocorre quando alguém fica muito tempo sem descanso, sem prazeres, com excesso de preocupações, responsabilidades e ansiedade.

A Síndrome está instalada quando as simples atividades do dia a dia como sair da cama, tomar banho, dirigir até o trabalho ou simplesmente fazer o próprio café da manhã se tornam um esforço digno de Hércules. Com frequência, como resultado, pode vir tristeza, sensação de incapacidade, “fobia” de fazer o que exija muito esforço (como o contexto que gerou a Síndrome em questão), além de dificuldade de concentração, de memorização e até aprendizagem.

A Síndrome de Burnout pode ser diferenciada da depressão essencialmente pelo humor. Enquanto na primeira a tônica é de cansaço esmagador, na outra é caracterizada por tristeza, visões pessimistas da vida e até pensamentos suicidas. Os outros sintomas são, na prática, iguais. É frequente a Síndrome gerar um quadro clínico de Depressão.

O “esgotamento da energia” ocorre com avisos, que não necessariamente são lidos pelo indivíduo que está chegando neste ponto, como acordar mais cansado do que fora dormir, ansiedades contínuas, choros ou irritabilidades por excesso de cansaço, falta de ânimo para fazer coisas prazerosas nos momentos de lazer, falta ou excesso de apetite, falta de libido e até medo de ir para o contexto que esteja sendo o ou um dos contextos que estejam inspirando estas alterações, podendo ser o trabalho, educar os filhos ou até cuidar de uma mãe ou marido com uma doença bastante debilitante.

A ansiedade, ou seja, os efeitos das preocupações (“O que tenderá a ocorrer amanhã ou ano que vem e como resolver isso, agora?”), pressões próprias (“Tenho que fazer tudo bem feito”; “Quero fazer tudo para ontem”; “Para eu dizer que algo está bom, não pode ter faltas ou falhas, ou seja, perfeito”; mas nada que um indivíduo faça será perfeito por mais de alguns minutos, o que gera outros problemas) e medos (“O que pensarão de mim?”; “Estou fazendo a coisa certa?”; “Serei demitida?”) costuma ser a maior causa de “Burnout”, pois é comum esta emoção cansar mais do que as atividades em si. Um homem que passa 14 horas fazendo programações na tela de um computador pode se cansar menos do que uma mulher que tenha um chefe que a ameace constantemente com demissão, apesar de trabalhar 8 horas; sendo que se for mandada embora, os filhos sairão da escola em que estão e ela não conseguirá mais pagar o convênio de saúde da mãe que está com câncer, sendo que o marido está em casa desempregado com depressão.

Portanto, a “Síndrome de Burnout” não é uma doença em si, mas um estado de profundo cansaço, que pode ser tratado em 2 fases: afastamento temporário das fontes de pressão, somado a uma busca de prazeres e descanso; para em seguida, buscar uma medida saudável de esforço em relação ao “trabalho” e/ou lidar de maneira mais leve com as fontes de ansiedade, costumando ser esta a causa mais comum.

Por Bayard Galvão, Psicólogo Clínico formado pela PUC-SP, Hipnoterapeuta e Palestrante. Especialista em Psicoterapia Breve, Hipnoterapia

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