Amazonas Cotidiano

OMS: apenas 1% das pessoas com doença de Chagas recebe cuidados adequados

No dia 14 de abril é celebrado o Dia Mundial de Combate à Doença de Chagas. Em todo o mundo, pelo menos 75 milhões de pessoas estão sob risco de infecção, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A data foi aprovada em maio de 2019 e tenta alertar para a conscientização da doença e assim aprimorar as taxas de tratamento e curas precoces, juntamente com a interrupção de sua transmissão.

Na América Latina, ela é considerada endêmica como explicou o diretor de Relações Externas da Iniciativa Global de Saúde (Unitaid), Mauricio Cysne. “Na América Latina, a doença de Chagas causa mais morte do que qualquer outra doença causada por uma parasita incluindo a malária com cerca de 75 milhões de pessoas em risco”. A Unitaid calcula que até 7 milhões de pessoas em todo o mundo estejam infectadas. Menos de 10% desses pacientes são diagnosticados e apenas 1% recebe o tratamento adequado.

O Amazonas, é claro, também reporta casos com certa frequência. Em 2021, foram notificados 76 casos de Doença de Chagas no Amazonas. Em 2022, de janeiro a março, 12 casos de Doença de Chagas notificados. Este ano, os casos notificados foram registrados no município de Barcelos (4), Lábrea (3), Manaus (2), São Paulo de Olivença (1), Uarini (1) e em Carauari (1).

O chefe do Departamento de Vigilância em Saúde Ambiental Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Drª Rosemary Costa Pinto (FVS-RCP), Elder Figueira, destaca que a transmissão da Doença de Chagas é feita pelo contato de fezes e urina contaminadas do “barbeiro”. No Amazonas, no entanto, a maioria dos casos acontece pela ingestão de alimentos contaminados, durante a preparação de sucos de frutos de palmeiras, como o açaí e bacaba.

“Não existe uma vacina para a doença, mas existem medicamentos para combatê-la. Quanto mais cedo for o diagnóstico e o quanto antes for iniciado o tratamento, maiores são as chances de cura do paciente”, destaca Daniel. Fora da América Latina, a doença de Chagas já foi registrada na África, na Ásia, na Europa e na Oceania. A OMS afirma que 1 milhão de mulheres em idade reprodutiva podem estar contaminadas.

Fases da doença

O Mal de Chagas é causado pelo parasita Trypanosoma crusi, e transmitida ao ser humano através de uma picada do inseto triatomíneo, também chamado de barbeiro. Ela pode apresentar duas fases, aguda e crônica. “Na fase aguda, os sintomas são: febre prolongada, dor de cabeça, fraqueza e inchaço no rosto e pernas. Na fase aguda, caso a pessoa não receba tratamento oportuno, ela desenvolve a fase crônica da doença, podendo apresentar complicações como problemas cardíaco”, ressalta Elder.

É importante evitar que o inseto “barbeiro” forme colônias, por meio da aplicação de inseticidas residuais, realizada por equipe técnica habilitada. Em áreas rurais, onde os insetos possam ser atraídos por iluminação artificial, favorecendo a entrada nas casas voando pelas aberturas ou frestas, recomenda-se o uso de mosquiteiros ou telas de proteção em portas e janelas.

É recomendado usar medidas de proteção individual (repelentes, roupas de mangas longas, etc.) durante a realização de atividades noturnas em áreas de mata. Para prevenir a transmissão oral, devem ser intensificadas as ações de vigilância sanitária e inspeção, especialmente atenção ao local de manipulação de alimentos.

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