Cotidiano

O que é a varíola de macacos (Monkeypox) e quais riscos ela representa

Países da Europa passaram a relatar nas últimas semanas casos da rara infecção conhecida como varíola dos macacos. Até esta quarta-feira (18/05/2022) Portugal havia identificado cinco ocorrências e mais 20 em investigação. A Espanha relatou oito casos e o Reino Unido seis.

Autoridades de saúde europeias estão monitorando qualquer surto da doença desde que o Reino Unido relatou seu primeiro caso de varíola dos macacos em 7 de maio e identificou mais seis no país, desde então. Os cinco doentes portugueses, de 20 casos suspeitos no país, estão estáveis. São homens e todos vivem na região de Lisboa e Vale do Tejo, segundo as autoridades sanitárias de Portugal.

A Espanha emitiu um alerta no início da manhã de ontem dizendo que tinha oito casos suspeitos em teste. O número subiu para 23 casos no final da tarde, disseram as autoridades de saúde da região de Madri em um comunicado. Todos os casos permanecem não confirmados.

O que é a varíola de macacos?

O vírus Monkeypox (varíola de macacos) é um ortopoxvírus que causa uma doença com sintomas semelhantes, embora menos graves, à varíola. Embora a varíola tenha sido erradicada em 1980, a varíola dos macacos continua a ocorrer em países da África Central e Ocidental. Duas cepas distintas já foram identificadas ao longo da história: uma na África Ocidental e outra na Bacia do Congo.

Esse vírus foi descoberto pela primeira vez em 1958, quando dois surtos de uma doença semelhante à varíola ocorreram em colônias de macacos mantidos para pesquisa, daí o nome “monkeypox”. O primeiro caso humano de varíola foi registrado em 1970 na República Democrática do Congo (RDC), durante um período de esforços intensificados para eliminar a varíola. 

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), a varíola de macacos é uma zoonose: uma doença que é transmitida de animais (não apenas os macacos) para humanos. Os casos são frequentemente encontrados perto de florestas tropicais onde existem animais que carregam o vírus. Evidências de infecção pelo vírus da varíola dos macacos foram encontradas em animais, incluindo esquilos, ratos caçados na Gâmbia, arganazes, diferentes espécies de macacos e outros. 

É pra se preocupar?

Ainda segundo a OMS, a transmissão de humano para humano é limitada, podendo acontecer por contato com fluidos corporais, lesões na pele ou em superfícies internas de mucosas, como boca ou garganta, gotículas respiratórias e objetos contaminados. 

Acredita-se que a transmissão de humano para humano ocorra principalmente através de grandes gotículas respiratórias. As gotículas respiratórias geralmente não podem viajar mais do que alguns metros, portanto, é necessário um contato pessoal prolongado. Outros métodos de transmissão de humano para humano incluem contato direto com fluidos corporais ou material da lesão e contato indireto com material da lesão.

Os sintomas são de febre, uma erupção extensa característica e linfonodos geralmente inchados. O período de incubação da varíola dos macacos pode variar de 5 a 21 dias. As autoridades de saúde alertam para a importância em distinguir a varicela de outras doenças, como varicela, sarampo, infecções bacterianas da pele, sarna, sífilis e alergias associadas a medicamentos. 

Embora a maioria das pessoas infectadas se recupere em algumas semanas, embora casos graves tenham sido relatados, inclusive com mortes. A proporção de pacientes que morrem variou entre 0 e 11% em casos documentados e foi maior entre crianças pequenas.

Nome controverso

Apesar de atribuída aos macacos, o reservatório natural dessa doença permanece desconhecido, segundo o Centro de Controle de Doenças (CDC) dos EUA. No entanto, roedores africanos e primatas não humanos (como macacos) podem abrigar o vírus e infectar pessoas. “Os roedores parecem ter um papel maior na transmissão”, explica Mellanie Fontes-Dutra, neurocientista e pesquisadora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Tratamento

Atualmente, ainda não há tratamento comprovado e seguro para a infecção pelo vírus da varíola dos macacos. Felizmente é possível controlar um surto de varíola de macacos com a vacina contra a varíola “comum”. Antivirais e imunoglobulina vaccinia (VIG) também podem ser usados. 

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