Cotidiano

O que é a gripe aviária e porque você (ainda) não precisa se preocupar com ela

A China registrou na última terça-feira (26/04/2022) a primeira infecção humana da variante H3N8 da gripe aviária. Apesar da preocupação, as autoridades de saúde chinesas explicaram que o risco de transmissão para outras pessoas é baixo. Na verdade, a maioria desses vírus não são capazes de infectar humanos e uma parcela ainda menor é capaz de causar problemas sérios. O que não significa que o perigo não existe.

Segundo a Comissão Nacional de Saúde da China, a infecção foi descoberta em um menino de 4 anos da província central de Henan, que havia desenvolvido febre e outros sintomas no dia 5 de abril. A criança havia tido contato com frangos e corvos criados em sua casa.

A variante H3N8 foi detectada anteriormente em outros lugares do mundo em cavalos, cachorros, pássaros e focas, mas nenhum caso em humanos havia sido reportado até o momento. A comissão disse que uma avaliação inicial determinou que a variante ainda não tinha a habilidade de infectar efetivamente os seres humanos, e que o risco de uma epidemia em grande escala era baixo.

Há muitas variantes diferentes de gripe aviária presentes na natureza, mas apenas algumas poucas são capazes de infectar humanos, geralmente os que entram em contato direto com aves. No ano passado, a China reportou o primeiro caso de outra variante, a H10N3, em humanos.

“Cerca de 99% desses vírus não são capazes de infectar humanos ou causam apenas uma doença leve, mas de vez em quando aparecem alguns que podem se tornar perigosos e até causarem pandemias”, explica o virologista Edurado Flores, da Universidade Federal de Santa Maria, no Rio Grande do Sul (UFSM).

Ainda segundo o pesquisador, no momento em que os pesquisadores fazem o sequenciamento genético desses vírus, mais precisamente da glicoproteína Hemaglutinina (o H da sigla) e as Neuraminidases, enzimas que trata da replicação do microrganismo, é possível saber se ele é preocupante ou não.

A grande preocupação dos cientistas não está apenas em saber se o vírus pode nos matar ou não, mas também na forma como ele pode ser transmitido. O sinal de perigo será ligado se surgir um vírus capaz de ser transmitido entre pessoas, daí a importância em estar sempre vigiando esses microorganismos.

“A maioria não causam preocupação, mas alguns podem ser graves, como o H5N1, que pode matar, só que ele não se transmite entre pessoas. Por isso é preciso estar sempre sequenciando esses vírus, porque alguns podem recombinar e se tornarem perigosos para humanos”, alerta Eduardo Flores.

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