Cotidiano

Dia Mundial da Voz: saiba como manter sua saúde vocal

O Dia Mundial da Voz é comemorado anualmente em 16 de abril. A data tem como principal objetivo chamar a atenção da população em geral para os cuidados de preservação da voz. Profissionais que utilizam a voz como ferramenta de trabalho (jornalistas, cantores, palestrantes) podem estar mais atentos aos cuidados básicos com a saúde vocal. No entanto, o restante da população negligencia ou desconhece a dimensão dos efeitos negativos que os excessos com a voz podem causar para a qualidade de vida.

Com a necessidade de usar máscaras para evitar a disseminação do novo coronavírus, alguns profissionais, como professores e palestrantes, demandam mais esforço vocal que os demais trabalhadores. “Temos a oportunidade de conscientizar a população acerca da importância dos cuidados com a saúde vocal, que merece atenção, assim como outras áreas da saúde”, ressaltou o diretor-presidente da FVS-AM, Cristiano Fernandes.

A fonoaudióloga e fiscal de saúde do Centro de Referência Estadual de Saúde do Trabalhador (Cerest) da FVS-AM, Socorro Soares, destaca que é importante estar atento aos seguintes sintomas: mudanças de tom de voz, rouquidão, falhas e dor ao falar, caso o sintoma se prolongue por 15 dias ou mais, e não esteja ligado a um quadro gripal.

Ainda segundo Socorro, caso os sintomas persistam, é recomendado buscar um profissional otorrinolaringologista ou fonoaudiólogo. O atendimento médico pode indicar exames para investigar doenças, como Doença de Parkinson, Refluxo Gastroesofágico e Câncer de Laringe.

Socorro adverte, também, que alguns cuidados podem ser tomados no caso de quem precisa usar a voz profissionalmente, ao mesmo tempo em que está utilizando a máscara. “Caso a pessoa esteja em público, o correto é usar sempre a máscara. Se possível, é recomendado o uso do microfone que fará a ampliação sonora, fazer pequenas pausas para se hidratar, além de evitar roupas que apertem a região cervical e do pescoço”, ressaltou.

“Cometer abusos com a saúde vocal e não se atentar ao fato de que a sua garganta precisa de cuidados podem resultar em problemas graves, como edema, nódulos nas cordas vocais e até câncer de laringe”, alerta a também fonoaudióloga, mestre e doutora em Ciências e Expressividade pela USP, Cristiane Romano.

Medicamentos

Até o uso de medicamentos pode afetar as cordas vocais. É o que explica a farmacêutica Alessandra Russo, da Coordenação Técnica e Científica do CFF. “Alguns medicamentos tornam a saliva mais viscosa, outros diminuem a produção de saliva, o que interfere na lubrificação e hidratação das pregas vocais e irá interferir na qualidade da produção da voz. Temos como exemplos, os corticoesteroides de uso tópico, administrados por meio de dispositivos inalatórios para o tratamento da asma. Medicamentos anticolinérgicos utilizados para o tratamento da doença de Parkinson, incontinência urinária, anti-histamínicos para tosse, os broncodilatadores utilizados para o tratamento da asma. Os medicamentos simpaticomiméticos diminuem a produção de saliva. Temos, como exemplo, aqueles utilizados para a congestão nasal, como a pseudoefedrina”.

Alessandra também cita como um caso preocupante o que ocorre com mulheres que utilizam esteroides anabolizantes para aumento de massa muscular. Já que o uso destes medicamentos ocasiona a virilização da voz feminina, com mudança do seu timbre, quadro que não se resolve nem com a interrupção do uso do medicamento. Outros fármacos também possuem efeitos indesejáveis. A especialista explica que fazer repouso vocal ajuda. Ela explica que ficar sem usar a voz o máximo de tempo que puder, vibrando a língua a cada hora para ir drenando as cordas vocais é um bom exercício. E, é claro, procurar especialistas da área da saúde para fazer esse acompanhamento. Isto mostra a grande importância do farmacêutico se engajar em ações de prevenção e promoção da saúde vocal, principalmente, no que diz respeito a orientação sobre o uso de medicamentos que possam ocasionar danos diretos ou indiretos à voz, bem como para informar sobre os graves riscos da automedicação.

Dicas

Se você não sabe muito bem o que fazer como prevenção, confira 4 dicas da fonoaudióloga. Parecem simples, mas farão toda a diferença na saúde da sua voz:

Beba água – A água é uma grande aliada da nossa voz. Ela mantém as cordas vocais hidratadas, permitindo que vibrem livremente na hora de emitir os sons. Mudanças climáticas podem fazer com que a garganta fique seca com maior facilidade, daí a importância de também ingerir líquido antes, durante e depois do uso intenso da voz. “Adotar o hábito de beber ao menos dois litros de água por dia, além de ajudar a garantir a saúde vocal, previne o organismo de uma série de problemas”, reforça Cristiane Romano.

Mantenha corpo e mente em equilíbrio – A voz não reflete somente a saúde das cordas e pregas vocais, mas do organismo como um todo. Por isso, aposte em atividade física regular, especialmente aquelas que exigem o trabalho de respiração, como natação, pilates, yoga, entre outras. Além disso, dormir bem, evitar o estresse e ter uma alimentação saudável são grandes aliados da sua saúde psíquica e física.

Atenção à postura – Ao falar, mantenha a coluna ereta e o corpo alinhado, sem tensionar. A postura “encolhida” exige de você um esforço maior para projetar a voz. O resultado? Maior desgaste vocal.

Sempre que necessário, procure um especialista – Ao menor sinal de que algo não vai bem com a sua saúde vocal, procure um médico. Problemas na voz, assim como muitas outras ameaças ao bom funcionamento do nosso organismo, têm grandes chances de obter uma resposta positiva e rápida quando tratadas a tempo. “Não subestime aquela rouquidão (que não vem acompanhada de gripe) ou uma tosse recorrente. Somente um especialista, realizando exames específicos, poderá diagnosticá-lo e indicar um tratamento adequado. Em todos os casos, o melhor a se fazer é não deixar para depois”, adverte Cristiane Romano.

Foto: EBC

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: