Ciência

Aids: pandemia que já dura 40 anos foi agravada pela Covid-19

Esta quarta-feira (01/12/21) é o Dia Mundial de Luta contra a Aids. Apesar de ainda de ainda ser uma pandemia, de acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), do ano 2000 até 2019, as novas infecções pelo HIV caíram 39%, e as mortes relacionadas ao HIV caíram 51%. No Brasil, no período de 1980 até o mês de junho do ano passado, o Ministério da Saúde detectou um milhão e 11 mil casos de AIDS em todo o país.

O vírus da imunodeficiência humana (HIV, na sigla em inglês) tem como alvo o sistema imunológico e enfraquece os sistemas de defesa das pessoas contra infecções e alguns tipos de câncer. Como o vírus destrói e prejudica a função das células imunes, os indivíduos vivendo com o vírus se tornam gradualmente imunodeficientes – o que resulta em um aumento da suscetibilidade a várias infecções e doenças que pessoas com um sistema imune saudável podem combater.

Apesar da queda nos números do Brasil, a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), em conjunto com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/AIDS (UNAIDS) alertaram que o número de novas infecções pelo HIV não diminuiu em uma década no resto da América Latina e destacaram a necessidade de se acelerar as ações para alcance da meta de eliminação da AIDS em 2030, após quase dois anos de interrupção causada pela pandemia de Covid-19.

Segundo estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do UNAIDS, das 2,4 milhões de pessoas vivendo com HIV na América Latina e no Caribe, 81% foram diagnosticadas, 65% recebem tratamento e 60% têm carga viral suprimida. Desde 2010, as mortes por AIDS caíram 27% desde 2010 e a porcentagem de pessoas com HIV que tiveram seu diagnóstico tardio caiu de 33% em 2016 para 25% no ano passado.

No Brasil, 694 mil pessoas estão em tratamento para a doença e, em 2021, 45 mil novos pacientes iniciaram a terapia antirretroviral. Com isso, o tratamento já chega a 81% das pessoas diagnosticadas com HIV em todo o país. Desse total, 95% já não transmitem o HIV por via sexual, por terem atingido carga viral suprimida, graças ao tratamento gratuito ofertado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) brasileiro. 

“O primeiro país que foi na vanguarda de ter um tratamento disponível para todas as pessoas foi o Brasil. O Brasil abriu a porta para que todos os países e grupos organizados lutassem para ter tratamento”, afirmou a representante da OPAS e da OMS no Brasil, Socorro Gross. Ela lembrou também que a pessoa que vive com o HIV pode não desenvolver a AIDS caso seu diagnóstico seja feito em tempo oportuno e lhe seja dado o tratamento adequado. 

A OMS avalia que a pandemia de covid-19 agravou as desigualdades sanitárias e dificultou o acesso aos serviços de saúde. Por isso, a entidade aproveita o dia de hoje para convocar os líderes mundiais a se unirem para garantir o atendimento adequado para prevenir as infecções e tratar as pessoas infectadas pelo HIV.

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