Cotidiano

Afinal, por que é tão difícil adaptar o Superman?

Hoje, 12 de junho, além de ser o Dia dos Namorados no Brasil, é também o dia do Homem de Aço, carinhosamente conhecido como Superman. Embora o personagem seja o maior ícone dos quadrinhos de todos os tempos, há quase oito anos não se tem notícia de um filme solo do herói e não há previsão que isso mude no horizonte. Aliás, adaptar o Superman tem sido um desafio nas últimas décadas. Mas por que isso acontece?

Origem

O herói ganhou fama nas páginas da Action Comics #1 em 1938. A data comemorativa vem justamente da cidade de Cleveland, nos Estados Unidos, quando um projeto de lei declarou o dia 12 de junho como o Dia do Super-Homem, em homenagem a Jerry Siegel e Joe Shuster, habitantes da cidade e criadores do super-herói.

A última adaptação solo do Superman chegou às salas de cinema em 2013, quando no seu aniversário de 75 anos com o lançamento de Homem de Aço, do diretor Zack Snyder, com Henry Cavill com o colant e a capa vermelha. Embora o filme tenha uma camada fiel de fãs e a atuação do britânico seja bastante consistente, a produção não foi o sucesso imaginado pela Warner Brothers e mesmo boas as aparições em Batman vs Superman: A Origem da Justiça e Liga da Justiça parecem ser as últimas do ator no papel e do personagem por um bom tempo. Mas por que isso acontece?

A eterna comparação com Christopher Reeve

O primeiro grande obstáculo é a eterna comparação de qualquer filme ou série feita com Christopher Reeve, que interpretou o papel em 1977 em Superman – O Filme, de Richard Donner. A superprodução milionária e com ótimos efeitos visuais para a época, somada a uma interpretação carismática e uma trilha sonora que marcou gerações trasnformaram o filme em um dos maiores clássicos do cinema.

Christopher Reeve marcou época em Superman – O Filme

O impacto foi tanto que o simples gesto de abrir a camisa e revelar a roupa e o símbolo se tornaram uma marca própria. A partir de então, toda adaptação do personagem não consegue atualizar para os tempos atuais o personagem mantendo a mesma aura de inocência e bom humor do filme de 1977.

Em Superman – O Retorno, filme de 2006 com Brandon Routh no papel, tentou deixar de lado qualquer inovação e deu sequência à franquia dos anos 1970, com direito a trilha sonora e tudo. O resultado não agradou. Primeiro porque Reeve era, de fato, um grande ator, algo complexo para um esforçado Routh tentar acompanhar. Segundo que não estávamos nos anos 1970 e os fãs sentiram falta da ação de outras produções do gênero, como o Homem-Aranha de Sam Raimi e os X-Men do próprio Bryan Singer, que dirigiu O Retorno.

Brandon Routh não emplacou em Superman – O Retorno

Já em O Homem de Aço e as sequências onde Cavill apareceu como Superman, foram na direção oposta, com um Superman violento, mas completamente inseguro, desalentado, que não passava a esperança e a responsabilidade que são marcas do personagem. E também acabou não sendo unanimidade.

Henry Cavill tem uma legião de fãs, problema é a história

Anti-americanismo

Claro que não dá pra excluir o contexto de uma manifestação cultural da política na qual ela está inserida. Com todas as cores e o simbolismo da propaganda norte-americana, o personagem atrai pra si a mesma rejeição que o país enfrenta no mundo, justamente pelo imperialismo que pratica. Mas isso não impede que ele possa dialogar positivamente com isso, pelo menos no campo do entretenimento.

Tal qual a Marvel conseguiu abordar temas extremamente delicados como racismo, encarceramento e imigração com extrema maestria sem pender para a propaganda em Falcão e Soldado Invernal, o mesmo pode acontecer com o Superman. Aliás, trabalhar personagens da DC no contexto político rendeu entretenimento de qualidade na animação da Liga da Justiça (2003) e na série de jogos Injustice. Não há porque ignorar a política.

A resposta

A resposta parece estar na TV, porém, o personagem vive seus bons momentos, sejam nas animações como a já citada Liga da Justiça, no Universo Animado da DC Comics ou em produções como Smallville e a mais recente Superman and Lois. A chave parece ser respeitar o espírito do personagem.

O caminho do diretor Zack Snyder, que colocou o Superman como um alienígena deslocado e solitário no mundo era ótima. Eu particularmente gosto muito de O Homem de Aço e acho um filme extremamente subestimado. Mas faltou desenvolver mais sua jornada.

Em Smallville, por exemplo, há uma boa construção da motivação do personagem, do seu caráter, das suas relações e como elas o modificam. Claro, as restrições de orçamento e a necessidade de esticar a série por intermináveis 10 temporadas acabam estragando a série, mas há muita coisa boa ali.

Clark Kent/Kal-El é um deus entre homens, mas é basicamente um refugiado com um talento. Ou seja, ainda é uma pessoa, como tantos de nós, que só estão em busca do seu espaço. É só acrescentar alguns efeitos visuais espetaculares e o Homem de Aço pode novamente voar no seu lugar: nas telas de cinema.

Foto: Reprodução HBO Max

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