Contexto

Pesquisa Genial/Quaest: diferença entre Lula e Bolsonaro cai seis pontos

A diferença entre o presidente Jair Bolsonaro e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva caiu seis pontos de acordo com a Pesquisa Genial/Quaest de abril. A nova rodada com os números da disputa das eleições de 2020 foi divulgada nesta quinta-feira (07/04/2022). O nível de confiança da pesquisa é de 95%, com margem de erro máxima de 2%, para cima ou para baixo, em relação ao total da amostra. 

As duas mil entrevistas, feitas entre 30 de março e 3 de abril, em 127 municípios, apontam que, se a eleição fosse hoje, Lula teria 45% das intenções de voto contra 31% de Bolsonaro no primeiro turno. No mês passado, o ex-presidente tinha 46% contra 26% do atual ocupante do Palácio do Planalto.

Na série histórica da pesquisa Genial/Quaest, é a primeira vez que Bolsonaro aparece acima dos 30% da intenção de votos. Na simulação de segundo turno, a vantagem se mantém e Lula teria 55% dos votos, contra 34% de Bolsonaro. A margem de erro é de dois pontos percentuais.

Números detalhados

Apesar da recuperação da popularidade e da diminuição da distância para o ex-presidente Lula, a avaliação do público ouvido na pesquisa não é nada boa para o atual chefe da República. Para mais da metade dos entrevistados (52%), o atual governo está pior do que o esperado e para apenas 17% está melhor do que a expectativa inicial.

Apesar da disputa entre os nomes, o fiel da balança nas eleições será, sem dúvida, os indecisos. Na pesquisa espontânea, ou seja, quando o entrevistador não apresenta nenhum nome de candidato, o número de pessoas que sabem em quem votar foi de 46%, contra 28% de Lula e 22% de Bolsonaro. Por outro lado, 65% dos que já escolheram candidato afirmam que não mudarão o voto.

A pesquisa mostrou também que a preocupação do eleitorado com a pandemia diminuiu com o avançar da vacinação e a melhora nos índices da Covid-19. Por outro lado, a economia segue como a maior preocupação entre os entrevistados, ainda que o número tenha caído de 51% para 46%, possivelmente motivado pelo início do pagamento do Auxílio Brasil e a melhora com a retomada das atividades comerciais com a flexibilização das atividades.

Ainda assim, para 62% dos entrevistados, a economia piorou no atual governo e 59% deles enfrentam dificuldades para pagar as contas. Outra má notícia para Bolsonaro é que para a maiora dos ouvidos na pesquisa (24%) ele é o principal responsável pelo aumento dos combustíveis.

Dória e Moro influenciaram cenário

As movimentações políticas do ex-juiz Sérgio Moro e do ex-governador João Dória tiveram impacto direto na melhoria dos números de Bolsonaro. A indecisão de Moro em assumir a candidatura e as dificuldades que Dória enfrenta em seu próprio partido fizeram os eleitores que buscam uma terceira via cogitar o apoio ao atual presidente.

Segundo a pesquisa, se Moro saísse hoje, dos 6 pontos que apresenta nas intenções de voto, dois iriam para Bolsonaro e os outros quatro se diluíram entre Lula, o ex-governador Ciro Gomes, e o próprio Dória. O número de brancos/nulos também cresce.  Ciro, hoje, oscila entre 5% e 7%, de acordo com o cenário.

Para o ex-governador de São Paulo, há ainda outra má notícia: pela primeira vez, seu índice de rejeição ultrapassou o de Bolsonaro. Ele alcançou 63% contra 61% do atual presidente.  A pesquisa mostra ainda que o número de indecisos caiu de 48% para 46% e que 64% dos eleitores que já escolheram um candidato dizem que não mudam mais. Esse número é de 69% entre os apoiadores de Bolsonaro e 76% entre os que preferem Lula.

“Estamos vendo dois fenômenos: a volta dos eleitores do presidente ao ninho bolsonarista e o desencanto dos eleitores com o possível surgimento de uma terceira via. Há uma tendência de os votos do Moro, principalmente, migrarem para o Bolsonaro”, observa o CEO da Quest, Felipe Nunes.

De maneira geral, a avaliação do governo vem dando sinais de recuperação. Hoje, 47% dos brasileiros classificam como negativa a administração de Bolsonaro. No mês passado, eram 49%. Em contrapartida, em março, 24% dos brasileiros consideravam positivo o governo. Este número, agora, é de 26%.

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