Contexto

Oxfam: novos bilionários surgem na mesma velocidade de milhões na miséria

O mundo poderá ter um milhão de pessoas empurradas para a pobreza extrema a cada 33 horas em 2022, quase a mesma velocidade do surgimento de novos bilionários durante a pandemia (um a cada 30 horas). O novo estudo da Oxfam Lucrando com a dor, lançado neste domingo (22/05/2022) às vésperas da reunião presencial do Fórum Econômico Mundial em Davos (Suíça), revela ainda que O total de 2.668 bilionários do mundo – 573 a mais que em 2020 — tem uma fortuna que chega a US$ 12,7 trilhões, um aumento de US$ 3,78 trilhões.

A riqueza total dos bilionários do mundo é hoje equivalente a 13,9% do PIB global – quase três vezes maior do que o verificado em 2000 (4,4%). “O aumento das fortunas de um pequeno grupo de pessoas enquanto a maioria da população do mundo enfrenta o drama da fome, falta de acesso à saúde e à educação, falta de perspectiva de vida, é aviltante. Os valores humanos estão escorrendo pelo ralo dos privilégios e da concentração de renda, riqueza e poder”, afirma Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil.

“Esse aumento desproporcional da riqueza de poucos não é celebrável. Ao contrário, é um sinal de alerta, de urgência para que algo seja feito a fim de recolocar a humanidade nos trilhos da inclusão de todos e todas, e de resgate da dignidade de cada pessoa, independente de cor, raça/etnia, gênero, orientação sexual, religião, lugar de origem e território que habita”, diz Katia Maia.

O estudo da Oxfam também revela que as grandes empresas dos setores de energia, alimentação, tecnologia e medicamentos tiveram lucros acima da média, ao mesmo tempo que salários ficaram estagnados e os trabalhadores tendo que encarar a alta nos preços dos produtos básicos.

A Oxfam recomendou em seu relatório a introdução de taxas sobre lucros extraordinários dos bilionários para financiar apoio às pessoas que enfrentam os altos custos de energia e alimentação pelo mundo, bem como uma recuperação justa e sustentável da pandemia. Ela também sugeriu acabar com o lucro sobre a crise introduzindo um imposto temporário sobre lucro excedente de 90% das grandes corporações. A organização estima que, se aplicado às 32 empresas que mais lucraram em 2020, esse novo imposto poderia gerar US$ 104 bilhões.

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