Contexto

O que é a COP26 e como ela pode (e precisa) redefinir a política climática global

Com uma série de eventos extremos ocorridos ao redor do mundo nos últimos anos, como chuvas torrenciais na Europa, queimadas devastadoras na Austrália e até mesmo a cheia histórica de Manaus, a crise climática que já é uma realidade. Tendo em mãos o alarmante relatório do IPCC sobre o clima e a Avaliação de Riscos das Mudanças Climáticas, líderes globais se reunirão em novembro em Glasgow (Escócia) para a Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima de 2021, também conhecida como COP26.

Segundo os documentos, a falta de medidas concretas por parte dos governos pode levar a temperaturas extremas a partir da década de 2030, causando 10 milhões de mortes ao ar livre. Ondas de calor anuais podem afetar 70% da população mundial e 700 milhões de pessoas estarão expostas a secas severas e prolongadas todos os anos.

A Organização Mundial da Saúde e representantes de profissionais de Saúde do mundo pediram nesta segunda-feira (11/10/21) que os governos adotem mais ações pelo clima na conferência global climática COP26, apontando que isso pode salvar milhões de vidas ao ano.

“A queima de combustíveis fósseis está nos matando. As mudanças climáticas são a principal ameaça de saúde que a humanidade enfrenta”, afirmou o comunicado. A OMS disse anteriormente que cerca de 13,7 milhões de mortes por ano, ou cerca de 24,3% do total global, aconteceram por conta de riscos ambientais como a poluição do ar e a exposição a químicos.

As mudanças climáticas também impulsionam algumas doenças infecciosas como a dengue e a malária, causando mortes em algumas das regiões mais pobres do planeta. Além disso, a degradação ambiental em países com grande biodiversidade, além de prejudicar o clima, favorece o surgimento de novas pandemias.

“Nossa saúde não é negociável: estamos indo para negociações sobre o clima, estamos negociando muitas coisas, mas a vida de uma só criança, seja ela perdida para a poluição do ar ou para as mudanças climáticas, não é algo que deveria estar na mesa”, disse Diarmid Campbell-Lendrum, diretor da unidade de Mudanças Climáticas da OMS.

Acordo complexo

A essa altura, com as mudanças climáticas já evidentes, resta outra tarefa complicada: negociar e pôr em prática modelos econômicos menos agressivos ao meio ambiente. O primeiro ministro britânico Boris Johnson já defendeu que devem ser tomadas medidas urgentes para potencializar o uso das tecnologias com energia verde, tornando-a mais barata e acessível. O presidente dos EUA, Joe Biden, prometeu duplicar o financiamento climático para US$ 11,2 bilhões. A China, por sua vez, afirmou que vai interromper o financiamento de centrais termoelétricas no exterior.

“Os negociadores do COP26 terão um grande desafio para chegar a algum acordo. Nós sabemos onde queremos chegar, mas como fazer isso é o xis da questão, e também como alcançar esse objetivos de forma justa e inclusiva”, destacou Juliane Reinecke, Professora de Gestão Internacional & Sustentabilidade na Escola de Negócios do King’s College de Londres, acrescentando que a proteção ao meio ambiente que temos hoje “não é suficiente”, considerando a extensão e a complexidade da questão climática.

Para Juliane, a ideia de que países mais ricos são menos vulneráveis às consequências das mudanças climáticas e os países pobres são mais vulneráveis não é verdadeira. “Divulgou-se recentemente que a Suécia, a França, a Finlândia, a Alemanha e os EUA estariam no ranking dos menos afetados, e os que correriam mais riscos seriam Nigéria, Bangladesh, Costa do Marfim, Tanzânia e Tunísia”.

No entanto, para a pesquisadora do King’s College, esse conceito é um grande mito. “Todos os países são vulneráveis, e serão afetados pelo aquecimento global. O Fórum Econômico Mundial estimou que, até 2050, 80% da população global será atingida pelas mudanças climáticas. Ou seja, todos nós somos vulneráveis”, alerta.

Amazônia

O papel do Brasil nessa discussão é fundamental. Hoje, o país representa 3% da emissão de gases poluentes, estando como o sexto maior emissor no mundo. Estima-se que 50% dessa emissão seja decorrente do desmatamento ilegal da Amazônia.

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