Contexto

O conto de uma fadinha e a história do skate no Brasil

A skatista maranhense Rayssa Leal, a Fadinha, de 13 anos se tornou a medalhista mais jovem do país na história da participação brasileira nas Olimpíadas. Conheça a história da modalidade, que já foi marginalizada e até proibida no Brasil

A maranhense Rayssa Leal, a Fadinha, de 13 anos, conquistou a prata na madrugada desta segunda-feira (26) no skate street na Olimpíada de Tóquio (Japão), se tornando a medalhista mais jovem do país na história da participação brasileira nos Jogos. Natural de Imperatriz (MA), a atleta marcou 14,64 na somatória, e só foi superada pela dona da casa Nishiya Momiji (15.26), também de 13 anos. Outra japonesa, Funa Nakayama, de 16 anos, levou o bronze (14.49). As disputas ocorreram no Parque e Esportes Urbano de Ariake.

Fadinha encantou nas manobras e na descontração: sorridente ele chegou a dançar algumas vezes, sem se deixar abater pela pressão da decisão por medalha. Estratégia que lhe garantiu a prata, a segunda do Brasil no skate street – no sábado (25) Kelvin Hofler conquistou a primeira. “Eu estou muito feliz, esse dia vai ser marcado na história. Eu tento ao máximo me divertir porque eu tenho certeza de se divertindo as coisas fluem, deixa acontecer naturalmente, se divertindo”, disse a skatista ao site do Comitê Olímpico do Brasil (COB).

Depois de receber a medalha, Rayssa continuou se divertindo e brincando até mesmo na hora de falar com os jornalistas. A mascote que ela ganhou de repente virou “meu bebezinho”. Sobre a medalha de meio quilo, Rayssa brincou: “Ela pesa mais que eu”. E quando foi informada que já estava com mais de 2 milhões de seguidores no Instagram, soltou um grito: “Quê? O que é isso, minha gente?”.

Com a confirmação da informação (durante a produção deste texto, o número já havia subido para 2 milhões e 200 mil), ela não escondeu a felicidade. “Desde que comecei nas redes sociais, sempre foi um sonho ganhar meu primeiro milhão de seguidores, e agora tenho dois?”, espantou-se a mais nova medalhista brasileira .

História do skate

O skate surgiu na Califórnia, Estados Unidos, nos anos 60. Foi inventado por alguns surfistas, como uma brincadeira para um dia no qual não havia ondas no mar. Eles utilizaram rodinhas de patins. Já em 1965 foram fabricados os primeiros skates e realizados os primeiros campeonatos. Mas o esporte só ganhou o mundo nos anos 90, quando o norte-americano Tony Hawk realizou uma revolução com seus aéreos e flips. Tony Hawk é considerado, até hoje, o maior skatista de todos os tempos.

No Brasil, a modalidade chegou primeiro no Rio de Janeiro ainda nos anos 1960, provavelmente trazidos por filhos de norte americanos e/ou por poucos brasileiros que viajavam para os Estados Unidos da América naquela época, principalmente por quem estava começando a surfar no Brasil. Incentivados pelos anúncios da revista norte americana Surfer, o Surfinho (como era chamado na época) era feito de eixos de patins com rodas de borracha ou ferro pregados numa madeira qualquer.

Os primeiros skatistas praticavam nas Ladeiras da Rua Maria Angelica e do Cedro no Rio de Janeiro (RJ) ou na Pracinha do Skate no bairro do Sumaré em S. Paulo (SP). Construção da primeira pista do Brasil e da América Latina em Nova Iguaçu (RJ) no final de 1976. Entretanto no final de década de 1970 o Skate decaiu devido aos fabricantes terem migrados para o patins e bmx, não havendo peças para comercialização, investimentos em skatistas e campeonatos, desestimulando a maioria dos praticantes.

No inicio da década de 1980 quase houve o desaparecimento da modalidade que sobreviveu graças aos poucos praticantes remanescentes que construíam rampas particulares. Cada vez mais a marquise do Parque Ibirapuera em S. Paulo (SP) reunia os praticantes de Freestyle tornando um reduto do Skate paulistano.

Proibição

Apesar da prática, o skate foi marginalizado por muito tempo. Isso porque ele sempre foi atrelada à cultura das grandes metrópoles e aos jovens “rebeldes”. Entre o final da década de 1980 e o início da década de 1990, a prática do skate conheceu diferentes modos de tratamento junto ao poder executivo da cidade de São Paulo. Num primeiro momento, na gestão de Jânio Quadros, o skate foi proibido por toda a cidade. Já com a prefeita Luiza Erundiana, ele foi legalizado e visto como um esporte em ascensão.

A segunda metade da década foi um período de grande desenvolvimento e evolução do Skate no Brasil. Porém em 1990 o Skate novamente entra em decadência devido ao Plano Collor que estragou todo o desenvolvimento do Skate nacional fazendo diversas empresas falirem, inclusive todas as revistas especializadas, e os investimentos no Skate encerrarem da noite para o dia.

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