Contexto

Insatisfeitos com Bolsonaro, caminhoneiros anunciam nova ameaça de greve

Embora divididos, caminhoneiros de todo o país estão insatisfeitos com o presidente Bolsonaro e anunciaram greve nacional a partir da próxima segunda. Paralisação em 2018 teve suspeitas de ameaças de bolsonaristas infiltrados

Caminhoneiros de todo o país anunciaram greve nacional a partir da meia-noite da próxima segunda-feira (26/07/21). Promessas ainda “não cumpridas” pelo governo do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) são o principal motivo da greve. Vale lembrar que a categoria o apoiou em peso nas eleições de 2018.

Dentre as reivindicações, estão a redução do preço dos combustíveis, a efetivação do piso mínimo e a liberação de pedágio para veículos sem carga. Em fevereiro, houve um ensaio de uma greve, mas o movimento não vingou porque entidades de classe próximas ao governo e caminhoneiros simpatizantes de Bolsonaro encararam a proposta como protesto político. Segundo o site Metrópoles, apoiadores do presidente Bolsonaro infiltrados nos grupos de mensagem dos profissionais enviam textos desencorajando a paralisação.

A insatisfação da categoria vem de longa data. Em outubro de 2017, a Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam), representantes dos caminhoneiros autônomos, emitiu um oficio ao então presidente Michel Temer a fim de apresentar ao governo a necessidade de isenção das alíquotas incidentes no valor do óleo diesel, um dos principais problemas para a categoria, já que o combustível representa cerca de 42% do custo do transportador.

As reivindicações não foram atendidas e em maio de 2018, os caminhoneiros deflagraram uma paralisação que influenciou diretamente o abastecimento dos principais produtos que utilizamos no dia a dia, como remédios, alimentos e principalmente, combustíveis. Essa greve, no entanto, gera até hoje fortes suspeitas de motivação política.

Na ocasião, o então ministro da Segurança, Raul Jungmann, anunciou investigação sobre denúncia de movimentos políticos infiltrados na greve dos caminhoneiros, que estariam impedindo a volta ao trabalho. Os alertas vieram de várias partes do país. O dono de uma transportadora em Bauru, em São Paulo, diz que tem 12 caminhões retidos em bloqueios, mas que os caminhoneiros estavam sendo ameaçados caso saíssem. Meses mais tarde, a categoria daria apoio em peso à candidatura de Jair Bolsonaro.

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