Contexto

Guerra na Ucrânia deve limitar abastecimento de alimentos e aumentar fome

O Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (Fida) alertou esta semana que o conflito na Ucrânia pode limitar o abastecimento de alimentos básicos, como trigo, milho e óleo de girassol. E os efeitos na alimentação já devem ser sentidos nas próximas semanas, a começar pelo trigo.

O presidente da entidade, Gilbert F. Houngbo, explica que o problema pode levar a um aumento de preço dos insumos e gerar uma escalada da fome, ameaçando a segurança alimentar mundial. Segundo o chefe do Fida, o Mar Negro possui um importante papel no sistema alimentar global, exportando pelo menos 12% das calorias alimentares comercializadas no globo.

Ainda de acordo com Houngbo, 40% das exportações de trigo e milho da Ucrânia vão para o Oriente Médio e a África, que já sofrem com a fome. Ali, “mais escassez de alimentos ou aumentos de preços podem levar à agitação social”.

Atualmente, 10% da população mundial não tem o suficiente para comer. Além disso, os impactos de eventos climáticos extremos e da pandemia de Covid-19 levaram outros milhões à pobreza e à insegurança alimentar. Para ele, a continuação do conflito na Ucrânia além de uma tragédia para os diretamente envolvidos, será catastrófica para o mundo inteiro e “particularmente para aqueles que já lutam para alimentar suas famílias”.

Os primeiros efeitos começam a ser sentidos com disparadas nos preços de trigo (Rússia e Ucrânia correspondem a 30% das exportações mundiais) e do petróleo. Nas próximas semanas devemos ver uma disparada também nos preços dos fertilizantes.

A Associação Brasileira Indústria Trigo (Abitrigo) afirma que a Rússia é o maior exportador mundial de trigo e a Ucrânia ocupa a 4ª posição neste ranking. Juntos, são responsáveis por cerca de 30% do mercado mundial de exportação do trigo, o que corresponde a 210 milhões de toneladas. A Abitrigo considera inevitável que a crise da Ucrânia afete diretamente os preços do trigo a nível mundial.

Se o conflito armado se prolongar com a resistência da Ucrânia, continuará a suspensão dos embarques nos portos ucranianos e os importadores concentrarão suas demandas nos demais exportadores, como Estados Unidos, Austrália, Canadá e Argentina. Isto poderá manter os preços em níveis elevados. O mercado global de trigo, nos dois últimos anos, foi fortemente afetado por crises climáticas nos países líderes e pela Covid, que impactou o posicionamento de estoques de segurança e fretes marítimos, cujos valores sofreram aumento de até três vezes.

Por tudo isso, o mercado mundial de trigo precificou, de forma contundente, indicando que visualiza um alongamento da crise. Até o dia anterior a esta nota, 8 dias da invasão da Ucrânia, o cereal subiu 35,7% nos Estados Unidos. A Argentina, nosso maior fornecedor, acompanha esta tendência. A escalada altista ainda não se estabilizou e continua em forte ascensão.

Com informações da ONU News

Deixe uma resposta

%d blogueiros gostam disto: