Contexto

Guerra na Ucrânia aprofunda quadro de fome global

O secretário-geral da ONU, António Guterres alertou o Conselho de Segurança nesta quinta-feira (19/05/2022) sobre como o conflito na Ucrânia aumenta a fome e a insegurança alimentar em todo o mundo. No debate presidido pelo secretário de Estado dos EUA, Antony Blinken, o chefe da ONU destacou que cerca de 60% das pessoas desnutridas do mundo vivem em áreas afetadas por conflitos. E segundo ele. “Quando há guerra, as pessoas passam fomenenhum país está imune”, afirmou.

Conflito significa fome

Guterres disse que, no último ano, a maioria das 140 milhões de pessoas que sofrem de fome aguda em todo o mundo estava concentrada em 10 países: Afeganistão, República Democrática do Congo, Etiópia, Haiti, Nigéria, Paquistão, Sudão do Sul, Sudão, Síria e Iêmen.

O chefe da ONU expressou preocupação com a insegurança alimentar no Chifre da África, que está sofrendo sua maior seca em quatro décadas. De acordo com Guterres, a falta de chuvas já afeta mais de 18 milhões de pessoas, enquanto conflitos contínuos e insegurança fazem parte constante da realidade dos povos da Etiópia e da Somália.

Ainda de acordo com as informações do secretário, globalmente, 44 milhões de pessoas em 38 países estão em níveis de emergência, conhecidos como IPC 4 ou a um passo da fome. Mais de meio milhão de pessoas na Etiópia, Sudão do Sul, Iêmen e Madagascar já estão no nível 5 do IPC: condições catastróficas ou de fome.

Impactos da guerra na Ucrânia

Para Guterres, a guerra na Ucrânia está adicionando uma “nova dimensão assustadora ao quadro de fome global”. Ele explicou que a invasão da Rússia significou uma enorme queda nas exportações de alimentos e provocou aumentos de preços de até 30% para alimentos básicos, ameaçando pessoas em países da África e do Oriente Médio.

Segundo o chefe das Nações Unidas, “o mais importante de tudo é acabar com a guerra na Ucrânia”. Ele fez um apelo ao Conselho de Segurança para que faça tudo ao seu alcance “para silenciar as armas e promover a paz, na Ucrânia e em todos os lugares”.

Pico global

O diretor-geral da FAO também afirmou que com menos segurança alimentar, a desigualdade se torna maior. Ele alertou para um “pico de fome aguda global”, com a possibilidade de um agravamento da situação no contexto atual. Sobre a guerra na Ucrânia, ele reforçou que o conflito está impactando o mundo com preços “historicamente altos” de alimentos e energia, colocando a colheita global em risco.

Para Qu Dongyu, é imprescindível proteger as pessoas, o sistema agroalimentar e a economia contra futuros choques. Ele acredita que ninguém precisa passar fome “se todos fizermos nossa parte”, descrevendo o investimento em sistemas agroalimentares como “mais relevante do que nunca”. Ao pedir união, o líder da FAO afirmou que “as pessoas dependem da comida para sobreviver”, e por isso todos precisam trabalhar de forma coesa para atender milhões de pessoas em todo o mundo.

Com informações da ONU News

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