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Guerra na Ucrânia: negociações tensas, ameaça nuclear e ONU condena ofensiva

Negociações entre representantes da Rússia e da Ucrânia começaram nesta segunda-feira (28/02/2022) na fronteira da BIelorrússia, no momento em que a Rússia enfrenta o aumento do isolamento econômico que pode comprometer toda sua economia. As conversas começam com o objetivo de um cessar-fogo imediato e a retirada do Exército russo, disse a Presidência da Ucrânia, depois de um avanço da Rússia considerado mais lento que o esperado. Isso, no entanto, não será fácil.

Enquanto isso, os 193 países-membros da Organização das Nações Unidas (ONU) participaram também nesta segunda em Nova York, da sessão emergencial da Assembleia Geral, com o objetivo de votar resolução condenando a ofensiva militar russa. A Rússia foi contra a decisão, mas não pôde usar o poder de veto, por não ser permitido esse tipo de procedimento. Três nações se abstiveram na votação: a China, Índia e os Emirados Árabes Unidos. Esta é a primeira vez desde 1982 que o Conselho de Segurança pede sessão de emergência da Assembleia Geral.

Economia sob pressão

Uma das armas do Ocidente para tentar conter o avanço das tropas russas são as sanções econômicas. No entanto, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a Rússia tem potencial para cobrir as perdas das novas sanções ocidentais. “Essas são sanções rígidas, são desagradáveis, mas a Rússia tem o potencial necessário para cobrir as perdas dessas sanções”, disse ele.

Mas não parece ser tão simples assim. o conselho de administração do Banco da Rússia decidiu aumentar a taxa básica de 9,5% para 20% a partir de hoje. Na semana passada, cinco bancos russos caíram sob as penalidades mais severas dos EUA, a saber, VTB, Otkritie FC Bank, Sovcombank, Promsvyazbank e Novikombank – seus ativos nos EUA serão congelados, enquanto as contrapartes americanas serão proibidas de trabalhar com eles.

“Os pagamentos da Rússia fora do país se tornarão mais difíceis, mais longos e mais caros”, segundo o presidente da Associação Russa de Dinheiro Eletrônico e Remessas, Viktor Dostov. “Para os bancos, isso significa aumento de custos e um declínio significativo na lucratividade”, afirmou Ekaterina Orlova, Especialista Jurídico Chefe da CM Grace Consulting.

Sanções pesadas

A União Europeia decidiu proibir neste domingo (27/02/2022) os aviões russos de utilizarem qualquer aeroporto dos países-membros do bloco. As novas restrições europeias anunciadas hoje atingem também a veículos de imprensa estatais da Rússia, como o Russia Today e a agência de notícias Sputnik. As sanções aplicadas à Rússia também se estenderão a Belarus, acusada de facilitar e participar do ataque russo à Ucrânia. “O regime [do presidente bielorusso Alexander] Lukashenko é cúmplice deste ataque cruel”, afirmou a presidenta da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

As novas restrições foram anunciadas poucas horas após a Comissão Europeia tornar público que as lideranças políticas de algumas das principais economias ocidentais (Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália e Reino Unido) concordaram em remover as instituições bancárias russas da Sociedade de Telecomunicações Financeiras Interbancárias Mundiais (do inglês, Swift) – uma rede bancária global criada em 1973, para facilitar e garantir a segurança da troca de mensagens entre bancos de diferentes países. O Vocativo havia antecipado essa possibilidade no especial sobre a crise.

Rússia culpa OTAN

A porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova, culpou a Organização do Tratado do Atlântico Norte (OTAN) e o silêncio da opinião pública ocidental pela crise. “As experiências da OTAN e o silêncio ensurdecedor do público ocidental – estas são as razões por trás do desastre humanitário e político na Europa. Isso deveria ser posto fim, já que o Ocidente se recusou a conduzir qualquer negociação e acolheu declarações agressivas e ameaças diretas de fantoches de Kiev para a Rússia”, escreveu a diplomata em seu canal Telegram.

Forças nucleares em alerta

O presidente russo, Vladimir Putin, ordenou colocar as forças nucleares estratégicas em alerta especial, justificando essa decisão pelas “ações econômicas hostis” do Ocidente, bem como pela retórica “agressiva” contra Moscou, disse o jornal Kommersant. Segundo especialistas, esta é a primeira vez que as forças nucleares da Rússia foram transferidas para esse modo desde o fim da Guerra Fria. A liderança dos EUA declarou que a OTAN não representava uma ameaça para a Rússia.

Com informações da Tass, ONUNews e Agência Brasil

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