Contexto

Crise entre Ucrânia e Rússia – Parte 01: entenda as origens do impasse

O mundo acompanha com preocupação o desenrolar das tensões entre Rússia e Ucrânia, o que pode levar a um imprevisível conflito capaz de abalar a geopolítica internacional. As raízes desse conflito são antigas e tem relação direta com a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), mais especificamente os EUA.

Guerra recente. Tensão antiga

Há alguns meses, a Rússia mantém tropas em constante movimentação na fronteira com a Ucrânia. Os dois países estiveram envolvidos recentemente em uma guerra no ano de 2014, quando o território da Crimeia, na península ucraniana, foi incorporado à Rússia. Desde então, o clima de conflito é constante.

Uma das principais causas dessa crescente rivalidade foi a entrada da Ucrânia na Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), que ao longo de décadas vem expandindo a participação de países do Leste Europeu. Isso significa que muitas tropas ocidentais passaram a se posicionar nas fronteiras da Rússia, que não vê esse avanço com bons olhos.

“A Rússia vê nisso uma ameaça para sua própria soberania e segurança nacional. Dentro desse contexto, a Ucrânia – que tem uma ligação histórica com a Rússia em virtude da antiga União Soviética – já estava pronta para entrar na União Europeia e na Otan antes mesmo da Guerra da Crimeia. Isso deixaria as tropas ocidentais literalmente na porta de Moscou”, explica Igor Lucena, economista e Doutorando em Relações Internacionais pela Universidade de Lisboa.

Com isso, foi gerado um gigantesco impasse. De um lado, a Rússia pede que não sejam aceitos mais membros na Otan, que é uma uma aliança militar intergovernamental, alegando risco para a soberania de alguns países. Do outro, defensores da aliança defendendo exatamente o contrário, alegando que ela protege justamente outros países da influência russa. Vale lembrar que muitas dessas nações ficaram à sobra da União Soviética no período da Guerra Fria. É aí que entra mais uma peça nesse jogo.

O papel dos EUA

O grande problema, segundo Lucena, é a posição firme de Moscou diante desse impasse, o que gera temor do outro lado do Atlântico, mais precisamente nos EUA. “Os interesses de ambos os lados são legítimos, mas se a Rússia precisar recorrer à força contra outros países para fazer valer seus interesses, ela o fará. E um conflito na Europavai influenciar diretamente os parceiros e diminuir a influencia norte-americana na região”, alerta Igor Lucena.

Vale lembrar que os Estados Unidos não apenas têm bases em toda a Europa, como em caso de guerra, terão um lado muito bem definido, mesmo que a Ucrânia ainda não faça, de fato, parte da Otan. “Um conflito entre Rússia e Ucrânia pode gerar outros conflitos em toda a região. E se um país da Otan for atacado, a reação deve ser conjunta, todos os países vão retaliar junto e a participação dos EUA deve ser bem clara. Vários conflitos internacionais de grandes proporções começaram desta maneira”, afirma o especialista em relações internacionais.

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