Contexto

Compromissos da COP26 não serão suficientes para pagar a conta climática, avalia TNC

Faltou ambição climática dos países nas Contribuição Nacionalmente Determinada (NDCs, na sigla em inglês) para mostrar metas e planos que vão garantir as reduções das emissões. A avalição é da gerente para Políticas Públicas e Relações Governamentais da The Nature Conservancy Brasil (TNC), Karen Oliveira, que está em Glasgow (UK), participando da Conferência do Clima.

Segundo a executiva, quando se fala em financiamento, é preciso dividi-lo em duas partes: os que são vinculantes, estabelecidos dentro do acordo de Paris; e os que são compromissos entre países sinalizados por meio de acordos bilaterais ou multilaterais.

Em relação aos financiamentos vinculantes, dentro do Acordo de Paris, houve pouco avanço concreto. “É um ponto que ficou para depois, que está dentro da carta de intenções da COP26. Ainda que haja a manutenção dos compromissos dos países mais ricos em ajudar os em desenvolvimento, não há cronograma, metas claras nem o como fazer para chegar aos 100 bilhões de dólares desde 2015”, avalia a gerente da TNC.

Karen também explicou que para manter o aquecimento global em até 1,5º C em relação aos níveis pré-industriais, os 100 bilhões de dólares anunciados não são suficientes. Segundo ela, “a conta é muito maior e envolve outras questões além das financeiras. É uma soma dos vários artigos previstos no Acordo de Paris, que dizem respeito, por exemplo, a métricas, governança, transparência e regras e diretrizes bem estabelecidas. Ainda há um desafio muito grande a ser vencido” .

O texto final do acordo provoca os países nesse sentido para que, de forma gradativa de 2022 a 2025, apresentem seus planos de governo e demonstrem como vão trabalhar para alcançar os objetivos e resultados necessários.

Clima e biodiversidade

Analisando tudo que foi anunciado e debatido nesta COP Climática, Karen ressalta a importância das metas para o clima e a biodiversidade andarem juntas. “Quando a gente olha para os problemas do Brasil, são agendas que se retroalimentam e que devem ser conciliadas e fortalecidas para combater a perda da cobertura vegetal e o aumento das emissões, trazendo novos elementos, como as salvaguardas ambientais e justiça climática”, explicou.

Essa é uma discussão que deve ser ampliada no ano que vem, na segunda etapa da COP da Biodiversidade. Segundo Karen, o desafio daqui pra frente é dar escala a instrumentos como restauração florestal, mercado de carbono e meios de financiamento inovadores para atingir as metas do clima e da biodiversidade até 2030.

Combustíveis Fósseis

Um dos temas que deve estar na Carta desta COP26 está relacionado aos combustíveis fósseis. De acordo com Karen, o compromisso mais interessante foi o assumido, fora do Acordo de Paris, entre Estados Unidos e China, principais emissores de gases de efeito estufa (GEE) oriundos dos combustíveis fósseis, para reduzir essas emissões. Entre as ações anunciadas pelos dois países estão o compromisso de não importar produtos que contribuam com o desmatamento e alcançar 100% de eletricidade livre de carbono até 2035.

Com informações da assessoria da TNC

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