Contexto

Bolsonaro entrega peças no tabuleiro pra se manter no jogo e ganhar tempo

O ministro da Educação, Milton Ribeiro, pediu nesta segunda-feira (28/03/2022) exoneração do cargo. Quase simultaneamente, mais uma mudança significativa no governo federal: o presidente da Petrobras, general Joaquim Silva e Luna, foi avisado que seria demitido pelo presidente da República Jair Bolsonaro (PL). As mudanças parecem ter um objetivo claro: proteger o próprio chefe do executivo nacional e ganhar tempo em uma questão importante: combustíveis.

Milton Ribeiro

A demissão de Milton Ribeiro ocorreu após o escândalo iniciado na semana passada, após a publicação de matérias na imprensa sobre suposto favorecimento na liberação de recursos do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE), órgão ligado ao Ministério da Educação.

Na última segunda-feira (21/03/2022), uma reportagem do jornal Folha de S.Paulo divulgou um áudio em que Milton Ribeiro, diz favorecer, a pedido do presidente Jair Bolsonaro, prefeituras de municípios ligados a dois pastores. A Polícia Federal (PF) abriu um inquérito para investigar o ministro, após a autorização da ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia.

O movimento de Bolsonaro nesse caso é claro: se livrar de uma figura que o associaria a mais um escândalo de corrupção, dessa vez no MEC, no momento em que a recuperação da sua popularidade desacelera e que ele se desgasta com a opinião pública com o incidente do Lollapalooza. E de quebra, deve entregar uma das pastas mais importantes do governo ao Centrão.

Joaquim Silva e Luna

O general Joaquim Silva e Luna foi demitido também nesta segunda após muitas reclamações do presidente Bolsonaro sobre a política de preços da Petrobrás. A manobra parece ter como único objetivo ganhar tempo. Isso porque é pouco provável que seu substituto, que deve ser Adriano Pires, fundador do Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), altere essa política. O nome indicado para a presidência do Conselho de Administração da Petrobrás, o presidente do Flamengo, Rodolfo Landim, também não deverá ser favorável a essa mudança.

Mas ao mexer as peças dentro da Petrobrás, Bolsonaro reforça a narrativa de que “está tentando fazer alguma coisa” para conter a alta dos combustíveis, seu maior calcanhar de Aquiles na corrida eleitoral este ano. Ainda que, de fato, pouco esteja fazendo para mudar o chamado PPI (Preço de Paridade de Importação), que faz o brasileiro pagar os custos de produção dos combustíveis no país equiparado ao mercado internacional. E ainda reforça a campanha pela privatização da empresa.

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