Contexto

A CPI Placebo

Chance de CPI da Pandemia dar em algo é zero. Congresso não quer investigar Bolsonaro, mas mantê-lo no cargo até 2022, aconteça o que acontecer

A notícia de que o presidente Jair Bolsonaro (Sem Partido) e o senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) conversaram neste final de semana com o objetivo de mudar os rumos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que deve investigar a conduta do governo Federal agitou os bastidores da política nacional. No entanto, por tudo que vem sendo posto, essa CPI já nascerá morta e deverá ter pouco ou nenhum efeito prático no cenário político do país. Será uma CPI Placebo.

Pra contextualizar, o senador divulguou neste domingo (11/04) em redes sociais um telefonema gravado no sábado (10) com o presidente Jair Bolsonaro, em que o presidente cobra do senador que a CPI da Covid só vai investigar o governo federal, e não, governadores e prefeitos. Na conversa, Bolsonaro ainda pressionou o senador Jorge Kajuru a fazer pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Fica mais do que claro a intenção do presidente de melar a CPI. E, se possível, articular a queda de ministros do Supremo, dando-lhe a chance de indicar mais aliados como Kássio Nunes Marques. Dispensável dizer o quão grave é mais essa interferência e que configura crime de responsabilidade do presidente. O caso é que não há interesse por parte do Congresso em investigá-lo. Na verdade, há interesse em mantê-lo no cargo até 2022, aconteça o que acontecer.

Qual a chance dessa investigação ser séria quando presidente do Senado vem a público para mostrar insatisfação com a ordem do ministro Barroso de instaurar o inquérito? Ou quando senadores aparentemente não bolsonaristas estão dispostos a atender o desejo do presidente? Zero.

Também não parece razoável imaginar que o presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (MDB) dê prosseguimento a um processo de impeachment de um ministro do STF. Seria como declarar guerra à Corte. E por mais que incluam governadores e prefeitos na CPI, isso será um tiro no pé, pois acabará levando a responsabilidade de volta ao Planalto. Basta observar a atuação do ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello em Manaus. No máximo, Bolsonaro conseguirá reunir provas contra si mesmo.

O mais provável é que acompanhemos pelos próximos meses um grande circo, cheio de discursos inflamados, bravatas e discursos para a militância. Até porque, convenhamos, a responsabilidade do governo Bolsonaro não é segredo pra ninguém. No máximo, descobriremos mais podres que serão somados à já extensa ficha corrida do presidente.

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