Amazonas

Vacinação lenta e mutações: o perigo da Covid-19 no Amazonas ainda não acabou

Embora a taxa de internações e mortes pela Covid-19 tenha caído no Amazonas, o perigo ainda não passou. Uma campanha de vacinação lenta e cheia de percalços, além de mutações e novas variantes podem colocar tudo a perder

Embora a taxa de internações e mortes pela Covid-19 tenha desacelerado no Amazonas nos últimos meses, o perigo de um novo aumento de casos em todo estado ainda não acabou. O último Boletim InfoGripe da Fiocruz, divulgado na sexta-feira (16/07/21), mostrou o Amazonas com sinal de crescimento de casos e óbitos de Sindrome Respiratório Aguda (SRAG), em especial Manaus, o que indica o aumento de casos da doença.

Enquanto isso, a variante gama da Covid-19, descoberta originalmente em Manaus está evoluindo, dando origem a três novas sublinhagens. Segundo pesquisa assinada por 23 pesquisadores de quatro instituições brasileiras e publicada no site Virological, 78% dos casos no estado são causados pelas tais sublinhagens, e, até o fim de maio, duas delas prevaleciam sobre a cepa original. Vale lembrar que neste momento, várias cidades do país já registram transmissão comunitária de outra variante de preocupação, a Delta, que pode ser mais transmissível do que a Gama.

“Não apenas a Gama, como a Delta e outras variantes do coronavírus seguem evoluindo. Enquanto o vírus estiver circulando isso vai acontecer porque vão ocorrer mutações. É o processo natural de evolução dos vivos”, explicou Felipe Naveca, virologista, pesquisador da Fiocruz Amazônia e um dos autores do estudo.

Pra completar, a vacinação em todo estado ainda segue lenta e cheia de percalços. No último sábado (17/07/21), a prefeitura de Manaus anunciou que estava suspendendo a aplicação da primeira dose da vacina contra a doença porque o estoque simplesmente acabou. Atualmente, o estado conta com apenas 14% da sua população imunizada, boa parte dela em Manaus, que por sua vez também conta com apenas 15% de moradores com duas doses. O problema é que essa imunidade parcial também é um problema com a circulação do vírus.

“A circulação do vírus entre pessoas que ainda não tem o esquema vacinal completo [duas doses] pode ser um mecanismo de seleção de variantes que escapam desses anticorpos. Isso vale inclusive para quem já teve Covid-19. Justamente por isso é importante vacinar, para diminuir a circulação do vírus e dessa maneira interromper essa evolução do vírus”, afirma Naveca.

O perigo de seleção de novas variantes deve ser motivo de máximo cuidado tanto do governo do Amazonas, quanto da prefeitura de Manaus. Ambos precisam planejar cuidadosamente os próximos passos da campanha de vacinação, para evitar que essas interrupções aconteçam.

“A prefeitura aplicou uma quantidade grande de vacinas de uma só vez, sem ter o suficiente para continuar a campanha. Falta planejamento profissional e sobra populismo sanitário. Se tivéssemos claro o tamanho da população alvo a ser vacinada e a quantidade de doses disponíveis para vacinar, não seriam necessárias longas interrupções na campanha de vacinação”, reclama Jesem Orellana, epidemiologista e pesquisador também da Fiocruz.

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