Amazonas

Quanto mais queimamos a Amazônia, mais seco o clima da região tende a ficar

Estudo mostra que a perda da vegetação e da vida animal em regiões como a Amazônia formam um ciclo perigoso atinge diretamente o homem: quanto mais se queima a região, mais vida animal se perde e mais seco fica o clima

No início de setembro, o Vocativo publicou material sobre um estudo falando do impacto das queimadas na vida animal na Amazônia. O trabalho conclui que 90% das espécies de animais e plantas da região já foram impactadas por incêndios. A perda da vegetação e da vida animal formam um ciclo perigoso atinge diretamente o homem. Quanto mais se queima a região, mais vida animal se perde e mais seco fica o clima.

No estudo foram utilizadas imagens de satélite de incendios florestais que os pesquisadores sobrepuseram com mapas de distribuiçao de quase 15mil espécies de plantas e animais. Com isso foi possível descobrir que os incendios já atingiram as areas de distribuição de mais de 90% das espécies em maior ou meno grau. Algumas espécies tiveram mais 50% de sua distribuiçao impactada pelo fogo.

Os incendios florestais vão degradando a floresta, cujas árvores não têm adaptaçoes ao fogo. Com isso muitas delas morrem alterando a paisagem e desestruturando a foresta que vai ano após ano se tornando menos densa, mais aberta e mais seca. As plantas atingidas pelo fogo também podem deixar de frutificar naquele período e com isso os animais além de seu habitat vão perdendo acesso ao seu alimento.

Essa conversão da floresta úmida em uma vegetação aberta e mais secas ocasiona a perda dos serviços ambientais que a floresta fornece ,como regulação local do clima, transferencia de agua para a atmosfera, armazenamento de carbono. Essas perdas vão contribuindo para o clima mais seco e quente que vai se tornando uma tendencia na região e no continente.

“A floresta amazonica é gigante e suas contribuições para a regulação climática também são. Perder a floresta é perder esses serviços e é isso que está acontecendo, estamos perdendo a Amazonia pelas beiradas ano após ano devido ao desmatamento, fogo e mudança no clima”, explica Mathias Pires, doutor em Biologia Animal do Instituto de Biologia (IB) da Universidade Estadual de Campinas (UNICAMP) e um dos autores do estudo.

Esse impacto é reversível, mas…

A capacidade de regeneração de sistemas naturais é incrível, especialmente a Amazônia. Porém, para que a floresta se regenere é necessário tempo. E é exatamente o que não estamos dando ao nosso principal bioma. “A velocidade das nossas transformações é muito superior a velocidade de regeneração e esse é o grande problema. Por milênios os povos tradicionais utilizam a floresta, mas a escala das alterações é sem precedentes. De acordo com o trabalho de mapeamento do desmatamento do Mapbiomas em 35 anos perdemos uma área de mais de 44 milhões de hectares só na floresta Amazonica. Uma área maior que a Alemanha”, alerta Mathias.

Se formos capazes de conter esse avanço sobre a floresta ela tem a capacidade de se recuperar, mas não é isso que vemos hoje. “A tendencia de queda no desmatamento e nos incendios florestais se reverteu desde 2018 e a área impactada volta a crescer. Eu sempre me pergunto quanto vamos aceitar perder, perdemos praticamente 20% da Amazonia em 40 anos”, teme o pesquisador.

O que vai acontecer nos próximos 40 ou 100 anos deve ser nosso principal objetivo desde já. “Se formos capazes de implementar medidas efetivas de combate ao desmatamento, acabar com a cultura da grilagem e do fogo (que além dos danos ao ambientes naturais e espécies selvagens também é danoso à nossa saúde) a floresta tem chances sim. Se não fizermos isso só nos restará (ou aos nossos filhos e netos) lidar com as consequência”, alerta.

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