Amazonas

Prefeitura de Manaus anuncia compra sem licitação de ivermectina e dexametasona no valor de R$ 260 mil

Prefeitura de Manaus gasta R$ 260 mil com ivermectina e dexametasona. Se o primeiro medicamento não possui qualquer efeito contra a Covid-19, o segundo pode oferecer risco caso seja administrado em pacientes com quadro leve da doença

A prefeitura de Manaus resolveu comprar, sem licitação, R$ 360,4 mil em comprimidos de ivermectina e dexametasona. A justificativa é o combate à Covid-19. No entanto, o vermífugo não possui qualquer efeito contra a doença. A compra foi registrada em portaria publicada no DOM (Diário Oficial do Município) desta quinta-feira (24/06/21).

No documento, o subsecretário municipal de Administração e Planejamento, Nagib Salem José Neto, autoriza a compra junto à fornecedora Decares Comércio, com sede no Tarumã, zona oeste de Manaus. O objetivo é abastecer as unidades de saúde da Secretaria Municipal de Saúde (Semsa).

A invermectina não tem eficácia contra a Covid. Isso quem afirma é a prória farmacêutica Merck, conhecida como MSD fora dos Estados Unidos e Canadá, fabricante do medicamento. Em fevereiro, a companhia emitiu comunicado assumindo posição contrária ao uso de ivermectina para o tratamento da Covid-19. O medicamento vinha sendo defendido por alguns políticos e inclusive pelo Ministério da Saúde no tratamento da infecção causada pelo novo coronavírus. O comunicado pode ser conferido na página da companhia.

No caso do corticosteroide dexametasona, ela até diminuiu o risco de morte em pacientes, mas apenas os que estão internados com quadro mais grave da doença. O uso em quadros leves da doença, como em pacientes que procuram as unidades básicas, não apenas não funciona como pode agravar o estado clínico dos pacientes justamente por comprometer seu sistema imunológico.

Ainda em 2020, estudos conduzidos pela Universidade de Oxford comprovaram que o medicamento dexametasona foi capaz de reduzir em 30% as mortes de pacientes internados em estado grave . Para casos moderados e leves, o corticoide não demonstrou eficácia.

Não é a primeira vez que a administração de David Almeida defende o medicamento. Antes de assumir a gestão da prefeitura, Almeida prometeu a distribuição do kit nas unidades básicas de saúde.

Foto: Dhyeizo Lemos / Semcom

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