Amazonas

PF investiga tráfico internacional de órgãos humanos de Manaus para Singapura

Atualizada às 14h45

A Polícia Federal deflagrou na manhã desta terça-feira (22/02/2022) a Operação Plastina. Nela, está sendo investigado possível crime de tráfico internacional de órgãos humanos partindo do Laboratório de Anatomia da Universidade do Estado do Amazonas (UEA) em Manaus para Singapura, na Ásia.

A ação da PF visa cumprir 3 mandados de busca e apreensão, expedidos pela 4ª Vara Federal Criminal da SJAM, sendo um na residência do professor Helder Bindá Pimenta da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), que é investigado pelo crime. Outros dois mandados foram cumpridos, um de afastamento de função pública e outro no Laboratório de Anatomia da universidade.

Segundo as investigações, o suspeito enviou órgãos humanos plastinados para Cingapura. Há indícios de que o material foi postado em uma encomenda, contendo uma mão e três placentas de origem humanas, de Manaus para o país asiático, cujo destinatário é Arnold Putra, um famoso designer indonésio que vende acessórios e peças de roupas utilizando materiais de origem humana.

Se condenado, o investigado poderá responder pelo crime de tráfico internacional de órgãos humanos, com pena de até 8 anos de reclusão. O nome da operação é uma alusão ao procedimento utilizado pelo investigado para conservar os órgãos traficados.

O laboratório realiza a técnica de plastinação desde 2017. A plastinação é um procedimento técnico de preservação de matéria biológica, criado pelo cientista Gunther Von Hagens em 1977. Ele consiste basicamente em extrair os líquidos corporais (água e soluções fixadoras) e os lipídios, através de métodos químicos, substituindo-os por resinas plásticas, como silicone, poliéster e epóxi, resultando em tecidos secos, inodoros e duráveis.

Posicionamento da UEA

Em nota, a UEA afirmou que “após tomar conhecimento do Ofício que determinou o afastamento cautelar do professor investigado e da ação de busca e apreensão no laboratório supracitado, a Reitoria da Universidade do Estado do Amazonas cumpriu a ordem judicial e determinou a abertura de sindicância para a apuração dos fatos e responsabilidades”. A universidade também publicou documento confirmando o afastamento do professor.

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