Amazônia Covid-19

Os erros que levaram ao aumento de casos de Covid-19 no Amazonas

Após meses de estabilidade baixa de casos, o número de registros de testes positivos e internações por Covid-19 voltou a crescer no Amazonas. E de forma acelerada. Em apenas um mês, o número de casos teve aumento de nada menos do que 2.500%, enquanto as internações aumentaram 600%.

No dia 02 de maio deste ano, o Amazonas contava com média diária de 25 casos positivos diários e 19 internações. No mês seguinte, o número caiu ainda mais, com média de 15 casos positivos e apenas 7 pacientes em unidades hospitalares com a Covid-19. Neste último sábado (03/07/2022) o cenário mudou drasticamente: são 445 casos positivos e 49 internados. Felizmente, o número de óbitos se mantém estável em todos os cenários, em virtude da vacinação dos grupos mais suscetíveis.

É verdade que, em comparação com as três ondas anteriores da doença (abril/maio de 2020, janeiro de 2021 e janeiro de 2022), quando chegamos a ter 100 mortes e quase dois mil internados, os índices são consideravelmente menores, mas o sinal de alerta foi novamente ligado. Mas afinal, o que causou este novo crescimento e o que pode ser feito para pará-lo?

O que está causando esse aumento de casos?

Vale lembrar que esse aumento não é exclusividade do Amazonas. Pela primeira vez desde o início da pandemia, o Estado teve registro de aumento de casos em sincronia com o resto do país. Nas ondas anteriores, os amazonenses se acostumaram a ser uma espécie de farol para outras unidades da federação.

O agente causador desse novo aumento são duas subvariantes da Ômicron, BA. 1.1 e a BA.2, as quais se espalham mais rapidamente do que versões anteriores do novo coronavírus, que já era extremamente mais eficiente do que o vírus original. Mas a ação do homem, com relaxamentos generalizados e a falsa crença de que vacina sozinha faz milagre também são outro fator importante.

“Já deveria estar claro para a população e autoridades sanitárias que seguiremos tendo ondas e mais ondas de contágio, caso insistamos com os relaxamentos e sem melhorar o desempenho na vacinação, em especial em relação às doses de reforço da vacina contra a Covid-19” alerta o epidemiologista Jesem Orellana, da Fiocruz Amazônia.

As próximas semanas

Embora boa parte da população do Amazonas já tenha tido contato com o vírus, apenas 30% dela, ou 1.288.834 pessoas tomaram a primeira dose de reforço da vacina. Considerando que a imunidade da vacina quanto dura uma média de seis meses e a proteção parcial oferecida pela infecção da Ômicron pode ser ainda menor, o mais provável é que essa onda dure mais algumas semanas. Grandes eventos como as comemorações de festas juninas e o Festival Folclórico de Parintins também devem espalhar mais a doença.

“Seguiremos tendo alta de casos e, infelizmente, como na terceira onda, também teremos aumento de internações hospitalares para casos graves e mortes plenamente evitáveis. Somente em Manaus, voltamos a ter cerca de 50 pacientes internados pela forma grave da doença ou suspeita e, certamente, uma parte deve falecer e agravar ainda mais o péssimo desempenho do Amazonas na epidemia”, lamenta Jesem.

O que fazer pra consertar?

Segundo o pesquisador, o grande problema até aqui é apostar em cenários otimistas, mesmo com o alerta da comunidade científica. “As autoridades sanitárias seguem errando em seus prognósticos sobre a epidemia, sempre por falta de cautela e precaução, como a precoce e equivocada suspensão da obrigatoriedade do uso de máscaras em ambientes fechados e o descarado relaxamento na parte de vigilância epidemiológica, especialmente na testagem e acompanhamento de casos e dos seus contatos”, afirma.

Com o relaxamento das autoridades, mobilizar o cidadão comum fica ainda mais difícil, uma vez que ele acredita, de fato, que o pior já passou. “A população, em geral, abandonou o uso de máscara, se aglomera como se não estivéssemos mais em estado de pandemia e tem deixado a nossa principal arma, a vacina contra a Covid-19, em segundo plano”, constata Jesem.

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