Amazônia

Os assustadores números da segurança pública do Amazonas

Segundo o Anuário Brasilieiro de Segurança Pública, a população do Amazoans nunca se armou tanto quanto nos últimos dois anos. No entanto, os principais índices de violência no estado pioraram muito

Divulgado na última terça-feira (28/06/2022), o Anuário Brasilieiro de Segurança Pública mostrou números impressionantes sobre o aumento da criminalidade no Amazonas, especialmente em sua capital, Manaus. Os números confirmam a alta na região Amazônia, em contraste com o resto do país.

Homicídios dolosos

Em todo o Amazonas, o número de homicídios dolosos passou de 954 para 1.486, aumento de 55%, enquanto os casos de latrocínio passaram de 46 para 66, crescimento de 43%. Ao todo, o número de mortes violentas foi de 1.121 para 1.670, aumento de 48%. Na série histórica entre 2011 e 2021, nunca houve tantas mortes com características violentas quanto em 2021 no estado.

Manaus viu o número de homicídios intencionais pular de 657 para 1.060, aumento de quase 61%. Os casos de latrocínio na cidade subiram 33%, passando de 33 para 44 (mais da metade em todo estado).

Facções criminosas

O Amazonas também ostenta nesse anuário um triste recorde. Os conflitos entre facções criminosas se acirraram após um período de estabilidade, tanto que o estado apresentou a maior variação da taxa de mortalidade violenta em 2021, com crescimento de 53,8%.

Ainda segundo o relatório, o estado vive uma sobreposição de crises na segurança pública, que tem relação com a profusão de crimes ambientais e conflitos fundiários, mas também muito associado ao conflito entre membros do Comando Vermelho e da Família do Norte, o que ainda em 2022 tem provocado um rastro de sangue.

O interesse destas facções está relacionado na busca pelo controle das principais rotas do tráfico de drogas na Amazônia. Algumas facções locais compreenderam melhor os mecanismos de funcionamento das redes ilegais através da Amazônia e, dessa forma, o estado do Amazonas e o estado do Pará, considerados como os grandes “corredores” de circulação de mercadorias ilícitas (drogas, madeiras e minérios contrabandeados) tornaram-se o foco de surgimento de grupos criminosos regionalizados, tais como Família do Norte (FDN-AM) e Comando Classe A (CCA-PA).

O estado do Amazonas é a grande porta de entrada da cocaína de origem peruana e de skank de origem colombiana, pois detêm as mais influentes rotas do tráfico de drogas: a do rio Solimões e a do rio Javali. A rota do Solimões se tornou palco de disputas e conflitos envolvendo piratas da região de Coari, membros da FDN e integrantes do PCC.

Estes últimos, que detinham o controle da área, chegaram até a região através dos estados do Mato
Grosso e Acre, fazendo várias alianças ao longo do percurso, já a rota do rio javali é hoje uma das mais complexas pelo fato de ter a presença da facção “Os Crias”, facção esta que surge da dissidência de membros da FDN que atuam na tríplice fronteira controlando a mais importante rota utilizada por narcotraficantes peruanos.

Além disso, o vale do Javali convive com uma série de problemas de segurança pública que atingem as
comunidades indígenas e os ribeirinhos da região, que sofrem ataques de garimpeiros e madeireiros contrabandistas. Um exemplo recente dos problemas dessa região foi o assassinato do indigenista Bruno Pereira e o jornalista do The Guardian, Dom Phillips (foto).

Violência contra a mulher

O Amazonas também registrou aumento considerável de casos de feminicídio: 61%. De 2020 para 2021, o número subiu de 68 para 110. O número de tentativas de feminicídio também aumentaram: 70%, passando de 30 para 51.

Outro índice que também aumentou foram as agressões contra a mulher, que passaram de 2.352 para 2.617, alta de 11%. E não foi por falta de denúncias que os casos aconteceram. O número de medidas protetivas cresceu 6%, enquanto as denúncias de assédio sexual subiram 26%.

Armas de fogo

Outro dado evidenciado pelo Anuário é o registro de novas armas. O amazonense nunca se armou tanto quanto nos últimos anos. Entre 2020 e 2021, o número de registro junto ao Sistema Nacional de Armas, da Polícia Federal passou de 1.544 para 2.666, o que represeta aumento de 72%. O total de registros de posse ativos cresceu 24%, passando de 7.866 para 9.776.

Crimes não violentos também crescem

Mesmo crimes não violentos tiveram aumento no Amazonas entre 2020 e 2021. Roubo de veículos, por exemplo, passaram de 1.924 para 2.262. Em números absolutos, os roubos passaram de 3.906 para 4.072, crescimento de 4%, mesmo com o novo sistema de monitoramento desse tipo de crime implementado pelo governo do Estado, o chamado Paredão.

Até celulares passaram a ser roubados com maior frequência em todo estado. No período pesquisado pelo anuário, o número passou de 36.525 para 39.537, crescimento de 5%. Roubo a transeunte aumentou 7%. Roubo de carga, por sua vez, cresceu 65%. Mas o maior crescimento foi dos casos de injúria racial, que cresceu 3650%, passando de 2 registros para 74.

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