Amazonas

OMS e entidades alertam para a importância de vacinar jovens contra a Covid-19

A recomendação para suspender a aplicação da vacina contra a Covid-19 em adolescenes entre 12 e 17 anos foi alvo de pesadas críticas por parte de da comunidade científica e entidades que se manifestaram contra a medida ao longo desta quinta-feira (16/09/21). A revolta se deve às informações falsas divulgadas pelo próprio Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, ao justificar a decisão.

Ele afirmou que não estão claramente definidos e que a Organização Mundial de Saúde (OMS) não recomenda imunização de adolescentes com ou sem comorbidades. A afirmação, no entanto, não é verdadeira segundo informações disponíveis no próprio site da organização.

Em vídeo publicado em junho, a OMS disse apenas que, neste momento, a vacinação de outros grupos é prioritária, o que não significa que os jovens entre 12-17 anos não devem ser vacinados. “A prioridade é começar a vacinar os profissionais de saúde com alto risco de exposição, seguidos dos idosos, antes de imunizar o restante da população“, afirma a entidade através do seu Grupo Consultivo Estratégico de Especialistas em Imunização (SAGE).

A respeito dos jovens, a OMS recomenda que os países considerem o uso da vacina em crianças de 12 a 15 anos apenas quando a alta cobertura da vacina com 2 doses for alcançada nos grupos de alta prioridade. Mas a entidade ressalta os perigos que o SARS-COV-2 representa para os jovens.

As evidências sugerem que os adolescentes, particularmente os adolescentes mais velhos, têm tanta probabilidade de transmitir a SARS-CoV-2 quanto os adultos. A OMS recomenda que os países considerem o uso da vacina em crianças de 12 a 15 anos apenas quando a alta cobertura da vacina com 2 doses for alcançada nos grupos de alta prioridade, conforme identificado no Roteiro de Priorização da OMS“, diz em sua página oficial. 

Entidades protestaram

A Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIM) e os conselhos Nacional de Secretários de Saúde (Conass) e Nacional de Secretarias Municipais de Saúde (Conasems) se posicionaram pela continuidade da vacinação contra a covid-19 de adolescentes sem comorbidades.

As posições foram divulgadas em resposta à decisão do Ministério da Saúde de suspender a imunização desse público, mantendo apenas a aplicação de doses para pessoas entre 12 e 17 anos de idade com comorbidades, anunciada hoje.

Em nota, a SBIM afirmou que a medida gera receio na população e abre espaço para fake news. A entidade questionou as justificativas apresentadas pelo governo federal para rever a orientação.

Quanto à orientação da Organização Mundial de Saúde (OMS), a sociedade lembrou que o grupo de especialistas da instituição considera que vacinas de RNA mensageiro, como a da Pfizer/BioNTech, são adequadas para pessoas a partir dos 12 anos de idade.

A SBIM acrescentou que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso da vacina da Pfizer/BioNTech em pessoas com 12 a 17 anos de idade, incluindo os sem comorbidades. “De acordo com o Ministério da Saúde, foram registrados 1.545 eventos adversos entre os 3.538.052 adolescentes vacinados no Brasil até o momento (0,043%). Erros de imunização respondem pela absoluta maioria (93%)”, diz a nota.

Secretários de Saúde

O Conass e o Conasems, em nota, lamentaram as decisões do Ministério da Saúde. Os órgãos defenderam a autorização dada pela Anvisa e o uso em diversos países e disseram que a decisão do ministério foi tomada “unilateralmente e sem respaldo científico”.

“Enquanto executores desta importante política pública, Conass e Conasems, baseados nos atuais conhecimentos científicos, defendem a continuidade da vacinação para a devida proteção da população jovem, sem desconsiderar a necessidade de priorizar neste momento dentre os adolescentes, aqueles com comorbidade, deficiência permanente e em situação de vulnerabilidade”, conclui a nota.

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