Amazonas

Ministério da Saúde cogitou montar “tendas” de tratamento precoce em Manaus em janeiro

No momento em que Manaus sofria com o colapso no fornecimento de oxigênio, comitiva do Ministério da Saúde liderada pela Capitã Cloroquina cogitou montar tendas para a distribuição do chamado "tratamento precoce" na cidade. Escolha seria dos pacientes e seria fora dos hospitais

Segundo o Jornal Nacional, a CPI da Covid está analisando documentos em que profissionais de saúde enviados a Manaus em janeiro deste ano sugerem a criação de tendas, que funcionariam fora dos hospitais, para indicar remédios do chamado “tratamento precoce” contra a Covid. Os remédios comprovadamente não funcionam contra a doença.

Naquele momento, a capital do Amazonas vivia o auge da pandemia, inclusive com o colapso no fornecimento de oxigênio na rede hospitalar, o que causou a morte por asfixia mecânica de pelo menos 30 pessoas. No entanto, uma comitiva do Ministério da Saúde estava na cidade – liderada pela secretária de Gestão do Trabalho do Ministério da Saúde, Mayra Pinheiro – com outro objetivo: orientar os profissionais de saúde do estado para receitar o “tratamento precoce”. Para isso, a pasta teria pago a viagem de 11 médicos para Manaus apenas com essa função.

Depois de passar alguns dias na cidade, o grupo elaborou um relatório que foi enviado no dia 20 de janeiro a Mayra Pinheiro e ao secretário de Ciência, Tecnologia, Inovação e Insumos Estratégicos em Saúde, Hélio Angotti. A CPI da Covid teve acesso aos documentos após a quebra de sigilo dos e-mails da secretária.

Um dos médicos que participaram da comitiva, identificado como Gustavo Vinícius Pasquarelli Queiroz, relatou a resistência de colegas para prescrever remédios sem eficácia. E sugeriu a criação de “tendas de tratamento precoce”, onde atuariam profissionais que aderem esta modalidade terapêutica. A opção de receber ou não os medicamentos seria dos doentes e não dos profissionais.

Também é citado o nome de outro médico: Luciano Dias Azevedo, investigado pela CPI por integrar o chamado gabinete paralelo, grupo que aconselhava o presidente Bolsonaro a adotar medidas contrárias à ciência, como a imunidade de rebanho por contágio e o uso de medicamentos ineficazes, como a hidroxicloroquina e a ivermectina. Azevedo também é apontado como o responsável por elaborar uma proposta para incluir na bula da cloroquina a recomendação para uso contra a Covid.

Na avaliação da cúpula da CPI, os documentos mostram que o governo operou abertamente para impor o uso de medicamentos sem comprovação científica na rede pública de saúde e comprovam que Mayra Pinheiro mentiu em maio à CPI, quando afirmou que o Ministério da Saúde nunca recomendou o uso desses remédios. Vale lembrar que em transmissão no canal do You Tube do governo do Amazonas, Mayra Pinheiro aparece recomendando aos médicos o uso do tratamento.

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