Amazônia Covid-19

Menos sanitização e álcool em gel, mais PFF2 e ambientes arejados

As autoridades de saúde do Amazonas precisam se atualizar. Passados mais de 15 meses desde o início da pandemia, governo do estado e prefeitura de Manaus fazem pouco para que população use mais máscaras PFF2 e frequente ambientes arejados

A pandemia do novo coronavírus já é uma triste realidade há 15 meses. Muito do que se acreditava sobre a Covid-19 mudou desde março de 2020. No começo, por exemplo, acreditava-se que a transmissão por superfícies era muito eficiente, o que nos fez conviver com totens de álcool em gel na porta dos estabelecimentos e frascos do produto nas bolsas. Também achávamos que máscaras de tecido poderiam ter a mesma eficiência na proteção.

Hoje, embora saibamos que esse mecanismo de contágio existe, ele é muito menos eficiente do que pelo ar. E também sabemos que, embora seja importante usar máscaras de tecido, o equipamento que realmente garante alta proteção são as chamadas máscaras PFF2. No entanto, as autoridades de saúde da prefeitura de Manaus e do governo do Amazonas parecem ainda não terem se dado conta dessas atualizações.

Não basta usar máscara, ela tem proteger bem

Nos perfis oficiais das redes sociais da prefeitura e do governo do estado não há nenhuma menção à preferência que deve ser dada para máscaras do tipo PFF2, muito menos qualquer programa de aquisição do material nem mesmo para servidores públicos, por exemplo, que precisam comprar seus próprios equipamentos.

Um estudo conduzido por pesquisadores do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP) e do Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares (Ipen) constatou que as máscaras de algodão, as mais comumente usadas pela população na prevenção da covid-19, têm eficiência de 20% a 60%. O que é considerado baixo ao lidar com variantes mais transmissíveis, como a Gama (P.1), prevalente em Manaus.

“As máscaras PFF2 já foram testadas clinicamente para outros agentes virais (como por exemplo o H1N1) em larga escala e se mostraram protetivas. Elas possuem diversas camadas de proteção (4 a 5 tipos de tecidos), com propriedades de retenção de partículas, e se ajustam melhor ao rosto” explica Mel Markoski, bióloga, doutora em biologia celular e molecular e membro da Rede Análise Covid-19.

É importante salientar que já existe uma boa iniciativa do governo do Amazonas nesse sentido. Uma das ações da Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap) foi utilizar a mão de obra carcerária para a confecção de máscaras descartáveis. Até o final de maio deste ano, os internos do sistema prisional do Estado já conseguiram produzir 387.541 unidades do insumo para prevenção ao novo coronavírus. Essa produção poderia ser ampliada com a participação de outros setores da economia. E o uso deve ser incentivado. Afinal, não basta produzir se as pessoas não usam.

O corona está no ar

Usar máscaras que oferecem mais proteção também é importante em cidades do Amazonas, onde as altas temperaturas obrigam as pessoas a ficarem em ambientes fechados, com ar-condicionado. E esses locais também oferecem um risco extra. Isso porque ao contrário do que se imaginava antes, você não precisa necessariamente estar próximo de uma pessoa contaminada para ser infectado também. Isso porque o novo coronavírus pode permanecer no ar por algum tempo, principalmente em ambientes fechados.

“O SARS-COV-2 é sim transmitido por aerossóis, não só através de contato muito próximo de alguém que vai te passar uma grande quantidade de gotículas, mas também se você estiver em um ambiente com baixa circulação de ar e nesse ambiente estiver uma pessoa contaminada sem usar uma máscara adequada”. Segundo a pesquisadora, em ambientes como o comércio, o risco pode ser menor caso você não fique muito tempo no local. O que já não acontece, por exemplo, nas escolas.

“É fundamental que as secretarias de saúde mantenham controle sobre a ventilação desses ambientes. É possível investir em ambientes com portas e janelas opostar para promover maior circulação de ar ou mesmo investir em ventiladores. Uma outra possibilidade é a instalação de filtros capazes de captar essas partículas contaminadas”, sugere.

Foto: Semcom

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